Senadora de partido aliado de Dilma apoia CPI

Ana Amélia (PP) é a 20ª parlamentar a assinar documento; oposição espera nesta semana adesões de Itamar Franco (PPS) e Pedro Simon (PMDB)

Rosa Costa e Andrea Jubé

06 de junho de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - A solidez da base governista no Senado começa a trincar, com a decisão da senadora Ana Amélia (PP-RS) de assinar a CPI para investigar o enriquecimento do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Inédita na lista dos habituais dissidentes do Planalto, a senadora afirma que está "insatisfeita" com as explicações do ministro e que suas entrevistas, em vez de reduzirem as suspeitas em relação ao crescimento de seu patrimônio, deixaram ainda mais dúvidas.

 

Com isso, subiu para 20 o total de assinaturas de apoio à CPI, 7 a menos do que as 27 necessárias. O número deve aumentar para 22 nesta semana se o senador Itamar Franco (PPS-MG) assinar o requerimento do hospital onde se submete a um tratamento contra leucemia e se o senador Pedro Simon (PMDB-RS) também cumprir a promessa de apoiar a investigação.

 

Ana Amélia foi recebida pelo ministro na quarta-feira, acompanhada de produtores e parlamentares empenhados em solucionar as dificuldades enfrentadas pelos agricultores de arroz e trigo de seu Estado. Daí a precaução em lembrar à presidente Dilma que seu gesto não pode interferir na solução de um problema prejudicial ao País.

 

"Espero que essa atitude não comprometa de maneira algum o trato das questões relevantes de interesse do meu Estado, porque, como disse a presidente Dilma Rousseff, ela quer o governo agindo republicanamente em todas as questões", alegou.

 

A senadora afirma que estava aguardando a manifestação da Procuradoria-Geral da República. "Como o procurador retarda essa informação e como nas entrevistas o ministro Palocci não foi suficientemente esclarecedor das dúvidas que continuam pairando, assinei a CPI."

 

Já Simon afirma que também não gostou das entrevistas do ministro, mas nesse caso decidiu acompanhar a posição da bancada, de aguardar o parecer do procurador. Na semana passada, ele pediu o afastamento de Palocci antes de o Ministério Público se manifestar, como "algo que ele deve à presidente Dilma".

 

A expectativa da oposição é convencer os senadores do PDT - Pedro Taques (MT), Acir Gurgacz (RO), Cristovam Buarque (PT) e João Durval (BA) - a apoiarem a CPI. Também espera pela assinatura da senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Mas a oposição sabe que perderá forças se o ministro deixar o governo.

 

Oposição. O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, criticou nesta segunda-feira, 6, a estratégia do governo de condicionar a decisão sobre o futuro de Antonio Palocci ao parecer da procuradoria-geral da República sobre o caso. "Do ponto de vista ético, a manifestação que se espera é da presidente", disse.

 

O vice-líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado, também aumentou o tom das críticas. Segundo ele, Palocci "é o Delúbio da Dilma e, infelizmente, não teve condições de apresentar à sociedade o que se esperava dele".

 

 

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