Senadora colombiana chega ao Brasil para resgatar reféns das FARC

FAB emprestará helicópteros para resgate de dois militares na selva colombiana

Reuters e Efe

26 de março de 2010 | 20h55

A senadora colombiana Piedad Córdoba, que lidera os esforços para a libertação de reféns das FARC, já está no norte do Brasil, de onde partirá uma missão que receberá dois reféns mantidos pela guerrilha na região de floresta da Colômbia, confirmou o Comitê Internacional da Cruz Vemelha (CICV) na noite desta sexta-feira, 26.    

 

 "Confirmo que chegamos ao Brasil e temos de nos reunir para coordenar as liberações", disse a senadora em sua página no twitter

O governo brasileiro, que no início de 2009 participou da missão de entrega de outros seis reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, emprestará dois helicópteros e os militares para a missão humanitária.

Segundo a delegação regional do CICV no Brasil, o avião pousou em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, por volta das 19h30 (horário de Brasília), trazendo de Bogotá a senadora do Partido Liberal, o bispo da região de Magangué, monsenhor Leonardo Gómez Serna, um integrante da organização "Colombianos e Colombianas pela Paz" (CCP), Hernando Gómez, além da delegada do CIVC na Colômbia, Roberta Falciola.

Os integrantes da missão irão pernoitar na cidade amazonense, de onde deverão partir às 8h da manhã do sábado em direção à região de floresta da Colômbia para dar início à operação, a bordo dos helicópteros do Exército brasileiro.

O representante do CICV para Brasil e Cone Sul, Felipe Donoso, também participará da missão que receberá os reféns e já está em São Gabriel da Cachoeira, informou sua assessoria de imprensa.

A expectativa é de que a ação humanitária aconteça em duas etapas, uma no domingo e outra na terça-feira, em duas localidades colombianas diferentes --Villavicencio e Florencia--, uma para cada refém.

O processo para a libertação do suboficial Pablo Emilio Moncayo e do soldado Josué Daniel Calvo avançou nesta semana depois de as FARC aceitarem um protocolo com as garantias de segurança por parte do governo da Colômbia.

 

Comunicado

 

Moncayo é o refém mais antigo em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), com 12 anos de cativeiro, enquanto Calvo, que aparentemente está muito doente, foi sequestrado alguns dias antes de a guerrilha anunciar sua disposição de libertar os militares.

 

A guerrilha também se comprometeu então a entregar os restos mortais do major da Polícia Julián Guevara, que morreu durante seu cativeiro em 2006. No entanto, as FARC afirmaram nesta sexta por meio de um comunicado divulgado pela "Agência de Notícias Nova Colômbia" ("Anccol") que não será possível cumprir com seu compromisso de entregar os restos de Guevara devido às "operações militares" na região.

 

"Enquanto o governo afirma que facilitará as condições para o retorno dos prisioneiros (reféns), aumenta suas operações nas três áreas fazendo todo o possível para impedir as libertações", acusou a guerrilha. Mesmo assim, ressaltou que sua decisão de entregar os dois militares e os restos de Guevara é "irrevogável".

 

"Moncayo e Calvo estão prontos para sua libertação. Devemos adiar a entrega dos restos mortais do major Guevara, visto que o Exército ocupa a área onde se encontram", acrescentaram as FARC.

 

Contudo, Córdoba deixou claro que a operação continua e que os helicópteros emprestados pelo governo brasileiro partirão no sábado para a cidade de Villavicencio, no centro da Colômbia.

 

A missão devia ter sido iniciada na quinta-feira, mas o adiamento de uma reunião do CICV com o comandante das Forças Militares colombianas, general Freddy Padilla, impediu que o cronograma fosse cumprido segundo os planos iniciais, o que atrasou tudo em 24 horas.

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