Senador tem R$ 100 mil só para comissionados

Servidores podem trabalhar no gabinete ou escritório regional, com salário de até R$ 9,9 mil

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

Cada um dos 81 senadores pode gastar quase R$ 100 mil mensais para contratar funcionários comissionados no gabinete em Brasília e em seus escritórios nos Estados. Em média, os parlamentares têm no gabinete 20 auxiliares, que recebem entre R$ 1.656,55 e R$ 9.9979,24. Além dos comissionados, têm direito a nove servidores dos quadros efetivos do Senado.Para o senador Renato Casagrande (PSB-ES), que emprega 22 comissionados em Brasília e no Estado, a estrutura oferecida pelo Senado é essencial para a atuação parlamentar. "Tenho uma boa estrutura em Brasília e no Estado. Uso muito os meus assessores", afirmou.Wellington Salgado (PMDB-MG) tem um staff de 25 comissionados: 9 em Brasília e 16 em Minas. Conta ainda com dois servidores efetivos no gabinete. Mais econômico, Eduardo Suplicy (PT-SP) abriga 12 comissionados: 8 em Brasília e 4 em São Paulo. O petista tem ainda dois funcionários de carreira em seu gabinete. "Tenho menos funcionários em meu gabinete do que teria direito", observou Suplicy. "Aliás, tenho solicitado servidores da Casa para o meu gabinete, mas não tenho conseguido."IMPRECISÃOO primeiro secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), estimou ter "uns 25" comissionados trabalhando em Brasília e no Piauí. Como ele, a maioria dos senadores afirma não saber quantos funcionários comissionados abrigam. Todos eles, em uma primeira abordagem, dizem "não ter ideia" do total desses servidores. A direção do Senado informa que, ao todo, a Casa tem 3 mil comissionados.Com uma estrutura funcional paralela, os líderes partidários também usufruem de vagas para comissionados nas lideranças, usadas para atender às demandas do partido. A liderança do DEM, por exemplo, emprega 30 deles. Já o PSDB tem 20 comissionados em sua liderança. Pelo regimento interno da Casa, cada senador tem direito a 11 cargos comissionados - 5 assessores técnicos e 6 secretários parlamentares - e 9 servidores do quadro efetivo da Casa.Sucessivas resoluções permitiram, no entanto, que os 11 cargos fossem subdivididos - o que permite, hipoteticamente, que cada senador chegue a ter a seu serviço 79 funcionários comissionados, além dos 9 efetivos. PASSAGENSOntem, o Ministério Público Federal no Distrito Federal pediu explicações ao Senado sobre gastos com passagens aéreas. O pedido foi encaminhado a Heráclito e à senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), suspeita de ter usado em março parte da sua cota de passagens para custear a viagem de sete parentes, amigos e empresários do Maranhão para Brasília.

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