Senador reage a denúncia de revista

O senador Ney Suassuna (PMDB-PB) reagiu com indignação à reportagem da revista "Época" sobre seu envolvimento em uma suposta rede de propina no Ministério da Integração Nacional, e disse que as denúncias "podem ser uma grande armação" com objetivo eleitoral. "Acabaram com os nordestinos", disse o senador, referindo-se ao deputado Henrique Alves (PMDB-RN) e a ele próprio - ambos cogitados para vice na chapa presidencial do tucano José Serra e atingidos por matérias veiculadas no final de semana. De acordo com "Época", Suassuna estaria por trás de uma "movimentação incomum" à frente do ministério, por ter liberado em uma única parcela, em março, R$ 3 milhões para obras no município goiano de Catalão, realizadas pelas empreiteiras Fuad Rassi, de Goiânia, e Sercel, de Belo Horizonte. As duas empresas são suspeitas de pagar propinas. Na última quinta-feira, a Polícia Federal deteve em Brasília um empresário ligado a Suassuna, José Elísio Ferreira Júnior, com R$ 100 mil em uma maleta. Ele estava acompanhado pelo advogado Giovanni Riccardi, assessor de outro senador paraibano, Wellington Roberto, do PTB. Os policiais fizeram o flagrante depois de meses de investigação com o Ministério Público, que contou inclusive com escutas telefônicas. As gravações apontariam como líder do esquema um certo "baixinho careca" chamado de "Ney" - associado pelos procuradores ao senador peemedebista. "Eu quero ouvir as fitas", afirmou Suassuna, indignado com as insinuações de que ele seria beneficiário de propinas. "Entrei na política com 59 anos de idade e já realizado financeiramente." Três semanas antes, os policiais também detiveram, em um vôo de Goiânia para Brasília, o empreiteiro José Guilherme Gonçalves, dono da Sercel, com R$ 139.550 em sua pasta. Em depoimento à PF, o empresário disse que pegou o dinheiro com amigos de Mato Groso do Sul e o usaria para pagar funcionários de sua empresa. De acordo com Suassuna, as empreiteiras são desconhecidas dele, e os R$ 3 milhões para as obras em Catalão teriam sido liberadas em uma única parcela por se tratarem de "restos a pagar", ou seja, despesas empenhadas no ano passado que ficaram para ser pagas em 2002. Apesar de confirmar que José Elísio renova seus seguros e é companheiro de diretoria na Associação Comercial e Industrial da Barra da Tijuca (Rio), o senador nega que tenha uma "relação de confiança" com o empresário. Suassuna preparou uma carta em que pede esclarecimentos a José Elísio num prazo de 24 horas. "Caso tenha havido uso inadequado de meu nome, tomarei as medidas judiciais cabíveis", disse o senador, acrescentando que recebeu informações do advogado de que o dinheiro de José Elísio teria sido sacado de sua própria conta. Ele também promete fazer amanhã um pronunciamento sobre o caso na tribuna do Senado, antecipando-se à oposição, que deve pedir sua convocação na Comissão de Fiscalização e Controle. "Tudo isso pode ser uma grande armação", diz Suassuna. "Todos os dias um do PMDB está explodindo", emenda o senador, sugerindo que o PMDB faça urgentemente "uma análise para ver o que está acontecendo".

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