Senador quer que CPI investigue gastos de Paulo Renato

Petista diz que ex-ministro de FHC teve diária paga para sua namorada em 2001; ex-ministro nega acusação

Agência Senado

25 de abril de 2008 | 14h10

O senador João Pedro (PT-AM)  apresentou dois requerimentos pedindo que a CPI mista dos cartões corporativos investigue gastos do ex-ministro da Educação Paulo Renato. João Pedro analisou gastos do ex-ministro pagos com recursos de contas tipo B em 2001 e, segundo informou, encontrou dados que lhe "chamaram a atenção", como pagamentos realizados em 2001 de diárias de hotéis em São Paulo e Minas Gerais para Paulo Renato e Carla Grasso, que, segundo João Pedro, não era funcionária do ministério.   Veja Também:   Entenda a crise dos cartões corporativos   'Estou preparada para ir a comissão no Senado', diz Dilma Comissão rejeita convocação de Dilma para explicar dossiê Oposição fura o cerco e Dilma terá de explicar dossiê no Senado Dossiê FHC: o que dizem governo e oposição PF pede a governo dados sobre segurança da Casa Civil PF abre inquérito para apurar vazamento de dados de FHC Dossiê com dados do ex-presidente FHC    A assessoria do ex-ministro disse ao estadão.com.br que Carla era a companheira do ex-ministro desde 2000 e que não houve pagamento de diária a ela e sim, ao ex-ministro. "Esta insinuação de que ela era amante dele não existe. Ela era esposa e, no entendimento dele (do ex-ministro), a esposa deveria ficar com ele na viagem oficial", disse.   Segundo a sua assessoria, Paulo Renato colocou todas as suas conta à disposição da imprensa e exige que os ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva façam o mesmo. "Não há irregularidades. Se ele for convocado, ele irá a CPI. Se a CGU entender que é ilegal o pagamento ao ex-ministro e sua esposa por ter o acompanhado, este dinheiro será ressarcido".   João Pedro espera que o relator da CPI Mista, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), e a presidente, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), promovam as investigações das denúncias. João Pedro afirmou que, a partir de segunda-feira (28), voltará a examinar outras caixas de documentos, entre as 1.500 que chegaram à secretaria da comissão. O senador esclareceu que não buscou dados especificamente contra Paulo Renato e que apenas teria aberto duas caixas aleatoriamente e encontrado as informações.     João Pedro também encontrou gastos de R$ 25 mil em locação de veículos junto à empresa LCM Transportes, do Rio de Janeiro. O senador apontou ainda, entre as supostas irregularidades, diversos processos com despesas sem comprovação de notas fiscais e pagamentos de alimentação em Brasília, o que é proibido pelo Decreto nº 941 de 1993.   A assessoria do ex-ministro nega. "Ele não pagou a locação do carro com o cartão corporativo, como fez a ex-ministra Matilde Ribeiro. Quem pagou para ele foi o MEC", disse.   Questionado se esse tipo de investigação contra ex-ministros do governo passado estaria politizando ainda mais o trabalho da CPI Mista, o senador afirmou que "não fez nada diferente do que a oposição faz". Para o senador, as investigações têm que ser feitas nos documentos do governo passado, uma vez que os dados de gastos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva estão publicados no Portal da Transparência na Internet. Para João Pedro, o governo anterior "tinha um telhado de vidro trincado".   No final da tarde, o ex-ministro divulgou uma nota no site do PSDB.   Veja a íntegra da nota de Paulo Renato:     Nota à Imprensa   Em entrevista, o suplente de senador João Pedro, no exercício do mandato pelo PT do Amazonas, me acusa de ter usado indevidamente recursos do Ministério da Educação (MEC) em viagens sem caráter oficial. De acordo com as informações obtidas mediante o habeas data que impetrei em março de 2008, já colocadas à disposição da imprensa, tenho a destacar os seguintes pontos:   1.Durante meus 8 (oito) anos à frente do Ministério da Educação, foram registrados 100 (cem) itens de hospedagem fora de Brasília, o que perfaz uma média mensal de 1,04 viagens por todo o país.   2.O número de hospedagens na cidade do Rio de Janeiro se justifica: é uma tradicional sede de eventos aos quais o ministro deve comparecer. A partir de 2002 passou a ser também a minha residência.   3.Registros de hospedagem em São Paulo se verificam em 1995, em razão da minha mudança de domicílio dos EUA para o Brasil naquele ano, e no período 2000/2001, em razão da dissolução de meu primeiro matrimônio, ocorrida em novembro de 1999.   4.O nome da Sra. Carla Grasso, hoje vice-presidente da companhia Vale, consta em duas notas de hotel por ser minha esposa.   5.Na questão dos aluguéis de carros, não há similaridade com gastos efetuados por meio de cartões corporativos pelos ministros do atual governo. A empresa LCM era paga segundo normas vigentes no Ministério da Educação e continuou a ser utilizada após o término da minha gestão em 2002. Reitero meu compromisso com a transparência, bem como o meu desafio ao Presidente da República, aos seus ministros e ao Suplente de senador pelo PT do Amazonas, que me acusa, a tornarem públicos os seus gastos de representação.   Paulo Renato Souza - Deputado Federal (PSDB-SP)"     (Com Eugênia Lopes e Nélia Marquez, de O Estado de S.Paulo)     Texto atualizado às 17h20

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