Senador pode ter sido alvo de grampo

Escutas seriam para checar suspeita de financiamento ilegal de campanha

Expedito Filho, O Estadao de S.Paulo

10 Janeiro 2008 | 00h00

O senador Edison Lobão (PMDB-MA), cotado para ministro de Minas e Energia, e o ex-titular da pasta Silas Rondeau, que deixou o cargo após ser investigado pela Operação Navalha, podem ter tido conversas telefônicas grampeadas. Quem admite essa possibilidade é o filho do senador José Sarney (PMDB-AP) e braço executivo das empresas do clã no Maranhão, Fernando Sarney.O empresário e sua mulher, Tereza Murad, foram grampeados pela Polícia Federal durante um ano. Há suspeita de que Fernando tenha contribuído com mais de R$ 2 milhões para a campanha de sua irmã, a líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA)."Em um ano de grampo, haverá conversas com Lobão e Rondeau. Eles são amigos e eram interlocutores freqüentes", afirmou. Mesmo ressalvando que não teve acesso aos grampos, Fernando contou que Lobão e Rondeau, por serem ligados ao grupo de seu pai, costumavam trocar idéias ao telefone.No fim de 2006, por exemplo, Rondeau ligou para avisar que passaria alguns dias em Fernando de Noronha. "No último ano, eu conversei muitas vezes com eles dois. Certamente haverá conversa com o Lobão e Silas entre os grampos, mas não existe nada que nos comprometa. Eles são amigos e me ligaram nesse período", relatou o empresário.Na terça-feira, Fernando não acreditava que havia sido alvo de grampo e dizia que ocorrera monitoramento das conversas, sem gravação. Ontem, mudou de posição.Como o processo corre em sigilo, o advogado Paulo Baeta, que o representa, entrou na Justiça do Maranhão com um pedido de acesso aos 13 volumes do inquérito, dos quais dois se referem às conversas mantidas por Fernando e sua mulher.O empresário acredita que até mesmo conversas com seu pai, Roseana e o deputado Sarney Filho (PV-MA) também tenham sido grampeadas pela Polícia Federal, a pedido do Ministério Público Federal do Maranhão. O monitoramento foi feito para checar a suspeita de financiamento ilegal de campanha eleitoral.Após as eleições de 2006, os investigadores flagraram uma movimentação de mais de R$ 2 milhões por Fernando e repassaram a informação ao Ministério Público. Acionada, a Receita Federal também iniciou uma investigação fiscal nas empresas do grupo Sarney. Em sua defesa, Fernando vai sustentar a tese de que o dinheiro sacado era privado e não foi utilizado para beneficiar nem a campanha da irmã nem a de nenhum amigo.

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