Senador petista teve sigilo telefônico quebrado

Na briga PT-PMDB deflagrada depois da vitória de José Sarney (PMDB-AP) na eleição para a presidência do Senado, em fevereiro, seu adversário na disputa, senador Tião Viana (PT-AC), teve o sigilo telefônico quebrado. O extrato com o gasto do celular de Viana referente a janeiro, circulou na mão de vários senadores do PMDB antes de a operadora TIM enviá-lo ao Senado. O fato mostra de forma crua a guerra interna no Senado desde a conquista da presidência da Casa pelo PMDB. O Estado apurou que alguém autorizado foi à central da TIM, em Brasília, para obter os dados. As contas, antes de os extratos serem impressos e distribuídos, são catalogadas apenas pelo número geral do "grande cliente", que é o Senado, e por outro número que identifica os gabinetes dos parlamentares. Só depois de processadas é que as contas ganham os nomes dos senadores. Segundo um técnico de telecomunicações do Congresso, algum emissário foi à TIM e, com o número de identificação do gabinete de Viana, conseguiu que só o extrato dele fosse processado na hora. O diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo, confirmou essa versão ao explicar que a TIM atrasou as contas dos chamados "grandes clientes", em 90 dias, por causa de reestruturação administrativa. Então, a conta relativa a janeiro só deve chegar ao Senado no fim do mês ou início de maio. Gazineo confirmou que para atender ao pedido de Viana, que no dia 18 de março quis quitar a conta de janeiro relativa ao celular emprestado à filha, teve de ir à TIM e solicitar uma antecipação especial. "Logo, se alguém tinha o extrato antes, só pode ter violado o sigilo telefônico do senador", concluiu Gazineo. "Eu paguei o que devia, reparei o meu erro, mas ninguém fala da violação do meu sigilo telefônico", disse Viana. "E no dia anterior ao vazamento, havia gente nos corredores do Congresso apregoando os meus gastos com o telefone celular."

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