Senador pede auditoria em patrocínios do BB

Segundo Álvaro Dias, lista de beneficiados, que inclui a CUT, indica que área de publicidade do banco atendeu a interesses partidários

Rosa Costa e Gustavo Freire, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2022 | 00h00

Mantida em sigilo mesmo quando estava sendo investigada pela CPI dos Correios, a lista de beneficiados pelo patrocínio do Banco do Brasil mostra que nem de longe atende ao "compromisso social para preservação dos valores da cultura nacional", como determinam as diretrizes do governo para a área de publicidade. Ao contrário, revela interesses tipicamente partidários ou privados. A conclusão é do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que decidiu pedir auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) nos patrocínios do BB e apresentar projeto de lei definindo como as entidades estatais devem distribuir recursos para essa finalidade.Entre os casos apontados por Dias está a destinação de R$ 500 mil ao 8º Congresso Nacional da CUT e de R$ 1,52 milhão para o Minas Tênis Clube de Belo Horizonte custear placas de sinalização da sede, ingressos para o jogo de futebol Brasil e Argentina, torneio interno de futebol society e uma festa de Natal.Os dois casos são de 2003. Na época, a DNA do publicitário Marcos Valério - tido como um dos mentores do esquema do mensalão - era uma das agências que atendia ao BB. O banco patrocinou ainda com R$ 2,5 milhões organizações-não governamentais que participaram das reuniões do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.INGRESSOSO Banco do Brasil apareceu no primeiro escândalo do governo Lula, quando seu então diretor de marketing, Henrique Pizzolato, ficou conhecido por ter permitido que o banco comprasse R$ 70 mil em ingressos de um show de Zezé di Camargo e Luciano para arrecadar dinheiro para o PT. O senador disse ter pedido essas informações ao banco duas vezes. A recusa do BB em atendê-lo foi seguida de um novo pedido. A reposta chegou há menos de dois meses.Numa relação sob o título "suspeitos e irregulares", feita pelos técnicos do Senado, estão vários casos de doação de R$ 10 mil. Esse valor foi destinado, por exemplo, à posse do prefeito peemedebista da cidade de Saquerema, ao aniversário do município de Joanópolis, às despesas de fax do Sindicato Rural de Xinguara, no Pará, à ONG Brasil-Cuba no Século 21, ao pagamento da festa de fim de ano dos funcionários da FB Projetos e ao pagamento da confraternização dos funcionários dos Supermercados Já Serve.Saiu igualmente do banco estatal os R$ 19,5 milhões que custearam os brindes distribuídos pela DNA de Marcos Valério. O BB também patrocinou com R$ 733 mil a festa de Natal dos empregados da BBTur Viagens e Turismo. Sobrou até patrocínio, de R$ 4.780, para os "servidores do TCU que analisam as contas do BB". O dinheiro foi usado nas comemorações da festa junina e na semana do servidor do tribunal.ESPÍRITO COMERCIALO Banco do Brasil (BB) respondeu que os contratos de patrocínio acertados com a CUT e o Minas Tênis Clube de Belo Horizonte foram fechados tendo com base exclusivamente interesses comerciais da instituição. "Em 2003, nós entramos no Minas Tênis em substituição ao BBV (banco depois comprado pelo Bradesco)", disse um porta-voz do banco. Pelo acordo, o banco passou a ser responsável pelo pagamento da folha dos funcionários do clube, pela gestão de suas aplicações financeiras e pelo pagamento dos fornecedores. "Além disso, instalamos terminais de auto-atendimento do banco no clube e ainda tivemos a oportunidade de oferecer nossos serviços e produtos aos associados", disse o porta-voz do BB.O patrocínio de cerca de R$ 300 mil ao 8º Congresso da CUT, de acordo com o BB, teve o mesmo espírito comercial. "Foi um momento em que todos os bancos estavam procurando se aproximar da CUT pela questão dos contratos de empréstimos com desconto em folha." Quanto às outras depesas, o BB esclareceu que não tem como responder, porque podem ter sido feitas pelas regionais.

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