Senador Malta queria "algo em troca", diz líder petista

A líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), insinuou que o senador Magno Malta (PL-ES) queria "algo em troca" para não apresentar o pedido de CPI dos bingos nessa semana, em um comportamento classificado por ela mesma como "pouco ético". "O que o Magno Malta queria? Essa foi a pergunta que a imprensa me fazia na quarta-feira. Registro que o senador Magno Malta conversava conosco no sentido de ter ou não a posição de não apresentar pedido de CPI e, ao mesmo tempo, articulava com a senadora Heloísa Helena (sem partido-AL) a continuidade das assinaturas. Portanto, só esse tipo de procedimento já é pouco ético", afirmou, ao chegar à sede do PT em São Paulo, para participar de reunião nacional do partido."Como foi pouco ético quando ele (Magno Malta) telefonou ao ministro José Dirceu (Casa Civil) e, sem comunicá-lo, colocou-o em viva-voz numa sala repleta de jornalistas com tratativa para a inciativa da CPI dos bingos", adicionou a senadora. Ideli disse que especificamente para ela, Malta não solicitou nada e, para saber o que ele queria em troca, seria preciso perguntar diretamente ao senador capixaba.Segundo a senadora, o governo descarta a implementação da CPI para evitar um "tiroteio" dentro do Congresso Nacional, conforme, na sua avaliação aconteceu essa semana com a ação promovida pelo senador Almeida Lima (PDT-SE), que passou o dia prometendo apresentar provas contra o ministro José Dirceu e, no final, mostrou apenas reportagens já publicadas pela imprensa.Ideli reconheceu ainda que todo tratamento por parte do governo para o episódio dos bingos se dá no campo político ao admitir que o grupo de trabalho que cuidava do tema indicava intenção de regularizar a situação do setor. "Os episódios acabaram catalizando a questão para o fechamento dos bingos", reconheceu.A senadora avaliou que a crise e seus desdobramentos desgastaram o PT e o próprio governo perante a opinião pública, mas ressalvou: "É melhor sair desgastado, com o País andando, retomando as votações importantes, fazendo com que a retomada do crescimento se viabilize, até porque as investigações estão em pleno andamento, de forma transparente pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal."

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