Estadão
Estadão

Senador Flávio Bolsonaro estica feriado de carnaval em viagem a Cancún

Envolvido em investigação que envolve supostos repasses ao seu ex-assessor, o filho do presidente está hospedado em hotel de luxo com diárias a partir de R$ 1 mil

Naira Trindade, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2019 | 18h15

BRASÍLIA -  O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) esticou o feriado de Carnaval em Cancún, no México. Desde segunda-feira, 4, ele e a família estão hospedados no Grand Hotel Riviera Princess, que fica na praia de Carmen. O hotel, de luxo, oferece diárias a partir de R$ 1 mil. 

A ausência no trabalho não implicará em desconto no salário do filho do presidente Jair Bolsonaro. O Senado não teve sessão deliberativa esta semana, o que não significa que a Casa Legislativa está de recesso. Muitos senadores aproveitam o período sem votação para trabalhar em seus gabinetes na elaboração de projetos e outras pautas. 

Flávio também ocupa a terceira-secretária do Senado, um cargo administrativo na estrutura da Casa. Procurada, a assessoria do senador não ligou de volta.

Filho mais velho do presidente, Flávio viu seu nome ganhar as páginas dos principais jornais após o Estado revelar movimentações financeiras atípicas de seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O próprio Flávio também teve movimentações atípicas, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O órgão concluiu que as rendas do filho mais velho do presidente não eram suficientes para explicar o volume de dinheiro na conta bancária dele.

Em depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro, Queiroz afirmou que fazia o “gerenciamento financeiro” de valores recebidos pelos demais servidores do gabinete do então deputado estadual. Queiroz apresentou defesa por escrito negando que tenha se apropriado desses valores e que os mesmos eram usados para ampliar a rede de “colaboradores” que atuavam junto à base eleitoral do parlamentar fluminense. Conforme o Estado revelou, prática proibida pela Alerj. 

No depoimento, o ex-assessor afirmou ainda que, como acreditava estar agindo de forma lícita e dispunha da confiança de Flávio, “nunca reputou necessário expor” ao chefe “a arquitetura interna do mecanismo que criou”.

O ex-assessor movimentou R$ 1,2 milhão em conta bancária entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. O Coaf identificou que outros servidores do gabinete de Flávio repassaram parte dos seus salários a Queiroz, na maioria das vezes em datas próximas ao pagamento na Alerj. A suspeita do MP-RJ é de que o ex-assessor recolhia o dinheiro para si próprio ou para entregar ao então deputado estadual, hoje senador.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.