Senador e juiz trocam acusações na CPI dos Bingos

A CPI dos Bingos foi palco da troca de acusações entre o senador Antero Paes de Barros e o juiz da 1ª Vara Federal de Cuiabá, Julier Sebastião da Silva. O juiz foi convidado para falar do suposto envolvimento de João Arcanjo Ribeiro, conhecido por Comendador, no assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002. Solicitado a assinar o termo de responsabilidade, que obriga dos depoentes a dizerem a verdade, ele recusou, alegando que estava ali como convidado e não como convocado. O clima pesou porque Paes de Barros já fora acusado pelo juiz de utilizar recursos de caixa 2 em sua campanha eleitoral. Estes recursos seriam provenientes de pessoas ligadas ao Comendador. Antero aproveitou a ocasião para cobrar dele explicações. "Eu não tenho que conversar com um juiz que mente, que labora um equívoco. Ele fala nos autos, fala na tevê, disse num programa de tevê e em função disso responde a queixa crime e ação de dano moral que eu movo contra ele", afirmou o senador.Sebastião Silva disse que determinou a abertura de inquérito contra o senador depois que o Ministério Público concluiu que a Vic Factoring, de propriedade do Comendador, teria emitido 84 cheques, no valor de R$ 240 mil para o comitê eleitoral do PSDB em 2002. Segundo ele, o ex-governador tucano Dante de Oliveira e deputados de vários partidos também estariam envolvidos no esquema. Antero Paes de Barros mostrou documentos sobre a origem dos cheques que, segundo ele, eram pré-datados, utilizado no pagamento de um jantar destinado a arrecadar fundos para campanha eleitoral. Ele exibiu uma transparência com o nome dos doadores e os valores de cada um dos cheques, trocados com deságio na factoring. "O Juiz está aqui não porque é um expert e quer contribuir com a CPI, mas porque o PT tem nele um de seus instrumentos no Poder Judiciário", atacou.O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), e Antero disseram que o líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), os teriam procurado para dizer que o depoimento de Sebastião Silva não era bom para o partido. "Queriam transformar o Antero no Delúbio, mas este é um jogo, uma farsa que nós não aceitamos", retrucou o líder. Várias vezes, o presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB) teve de intervir para pedir moderação, sem muito êxito. O juiz se valeu várias vezes do parecer, não votado, do relator da CPI dos Banestado, deputado José Mentor (PT-SP), para acusar Antero de proteger o Comendador, condenado há 49 anos de prisão, que está preso no Uruguai.O senador reagiu mostrando 18 medidas que teria adotado como presidente da CPI contra o Comendador. Antero mostrou ainda transparência de um livro patrocinado pela Caixa Econômica Federal sobre o fórum presidido pelo juiz. Segundo ele, nas 48 páginas, há 13 fotos de Sebastião, inclusive na primeira página, em que aparece fotografado de corpo inteiro. O senador mostrou parte de processo em que o juiz é acusado por improbidade administrativa por designar, como peritos em processos de desapropriação, seu irmão - que segundo o senador cobra preços "extorsivos" pelo trabalho - o sócio do irmão e um primo.

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