Senador dos EUA vê redução de taxa sobre etanol só no futuro

O senador republicano Charles Grassley disse que a redução da taxa cobrada pelos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro é "uma coisa boa e que acontecerá um dia, mas não agora". Atualmente, o governo norte-americano cobra uma tarifa de US$ 0,54 por galão (o equivalente a R$ 0,14 por litro) sobre o etanol importado do Brasil. No ano passado, Grassley conseguiu aprovar um projeto de sua autoria, que prolonga as tarifas, atualmente em vigor até 1º de janeiro de 2009. O senador representa o Estado de Iowa, o maior produtor de etanol dos Estados Unidos. Proteção"Temos uma indústria nascente. E temos de assegurar que não faremos nada para prejudicar essa produção ainda em seus estágios iniciais", disse o senador, que integra e já presidiu a Comissão de Finanças do Senado americano. Por isso, afirmou, é necessário que os Estados Unidos ao menos sigam, por enquanto, com sua política de dar subsídios aos produtores americanos de etanol e de cobrar tarifas sobre o combustível que importam.Grassley acrescenta: "Eu sei o que aconteceu nos anos 90, quando o petróleo caiu para US$ 10. Isso arruinou a indústria do etanol. Temos de assegurar que nossa infra-estrutura ficará no lugar."Mas nem todos no Senado ou mesmo no Partido Republicano compartilham da visão de Grassley. O senador pelo Estado de Indiana Richard Lugar defende a redução das tarifas e disse à BBC Brasil que pretendia conversar sobre o tema com seu colega. "Essa conversa aconteceu há dois dias, no metrô, no caminho entre nossos escritórios e o Senado. Foi uma conversa franca. É uma questão de tempo. Ele acha que a hora é agora. Eu acho que deve ser algum dia", afirmou. ChávezGrassley também elogia a parceria que Brasil e Estados Unidos firmaram para produzir etanol em uma nação do Caribe, mas teme que a iniciativa substitua a dependência americana em petróleo para uma dependência em etanol. "Se o nosso objetivo é obter independência em termos energéticos, não faz sentido que dependamos do etanol internacional, assim como não faz sentido que dependamos do petróleo internacional", disse. Grassley frisa, no entanto, que não é contra a parceria. "Eu aplaudo o que o presidente está fazendo, porque reduz o poder de pessoas como Hugo Chávez e é bom para o meio ambiente. Mas não quero que seja usado dinheiro do contribuinte americano para financiar usinas que poderiam se valer da iniciativa privada."O senador comenta que não "quer desincentivar o que quer que seja que o presidente esteja fazendo para promover o etanol em todo o mundo, porque isso é bom em todos os sentidos, mas o meu conselho a ele é: se a coisa não está quebrada, não há por que consertar".

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