Senador do PSOL acusa aliados de Renan de ameaçá-lo

Randolfe Rodrigues subiu à tribuna para, mais uma vez, se defender de acusações de recebimento de propina

Débora Álvares, Agência Estado

13 de agosto de 2013 | 20h29

BRASÍLIA - Um discurso do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) nesta terça-feira, 13, evoluiu para um bate-boca que tomou mais de duas horas da sessão do Senado. Se dizendo "ameaçado" por aliados do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), Randolfe subiu à tribuna para, mais uma vez, se defender de acusações de recebimento de propina.

Segundo ele, existe perseguição política por sua atuação na oposição. "Eu procurei as lideranças para buscar a urgência para podermos colocar esse projeto (ficha limpa para servidores do Senado) e, aí, recebi como aconselhamento — e acho até que pode ter sido na melhor das intenções — do senador Gim, que me disse: 'Randolfe, há um procedimento aí no Conselho de Ética. É melhor você resolver logo.'"

Pouco antes, o microfone do senador teve o áudio suspenso por mais de um minuto, postura incomum na Casa. Em sessões não deliberativas, como era o caso, cada senador tem 20 minutos para discurso e, ultrapassado o limite de 20 minutos, tem o áudio interrompido, como um aviso do limite de tempo, o que não costuma durar mais que alguns segundos. Além disso, a transmissão da sessão na Rádio Senado também foi suspensa por alguns segundos.

Renan, contudo, negou que tenha havido alguma medida de "censura" a Randolfe. "Certamente, se houve um problema na transmissão da rádio, não foi para evitar que a população ouvisse seu discurso, senador Randolfe. O Senado nunca se caracterizou por censurar nenhum senador."

Acusações. Para os senadores da ala "independente" da Casa, o episódio com o senador Gim soou ameaçador. "Ninguém pode ser submetido ao uso e meios para tentar intimidar a atividade parlamentar", destacou o senador João Capiberibe (PSB-SP), também alvo das mesmas denúncias de recebimento de propina. As acusações contra eles foram enviadas por Renan à PGR no início do ano, e arquivadas por Gurgel.

Randolfe afirmou que os documentos que estimularam a denúncia são falsos o que, segundo ele, já teria sido comprovado por perícias oficiais solicitadas pelo Ministério Público do Estado do Amapá. O senador cobrou, ainda, do presidente do Conselho de Ética, João Alberto (PMDB-MA) um encaminhamento para a denúncia contra ele no Senado — encaminhado à Procuradoria Geral da República por Renan, o caso foi arquivado pelo procurador Roberto Gurgel.

Em resposta, Alberto mostrou documentos de uma perícia particular encomendada pelo denunciante que comprovam a veracidade dos documentos. Ele destaca já ter tomado as providências para levar o caso aos conselheiros, mas aguarda uma posição da Advocacia do Senado a respeito.

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