Senador diz que procurador é "neurótico"

O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), chamou o procurador da República Luiz Francisco de Souza de ?neurótico?, ao saber que ele destruiu a fita em que teria gravado a conversa dele e de seus colegas com o ex-presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). ?Se é assim neurótico, ele deveria se tratar?, afirmou. Tebet não quis comentar o efeito que a destruição da fita provocará na decisão do conselho com relação às afirmações de ACM antes de receber o pedido da oposição para se pronunciar sobre o assunto. Mas deixou claro que a iniciativa de Luiz Francisco de estragar com a principal prova do fato não impedirá o conselho de agir. O senador disse que para dar segmento ao caso basta que haja ?alguma fundamentação? no pedido da oposição. ?Vou nomear um relator, e o conselho irá se manifestar?, afirmou. Ramez Tebet lamentou o ?reflexo negativo? que a iniciativa do procurador provocará no Ministério Público. Ele lembrou que já pertenceu ao Ministério Público, onde atuou como promotor, e que jamais viu nada parecido. ?Se é verdade que ele pisou na fita, a sociedade tem de reclamar?, defendeu. Para o senador, Luiz Francisco se comportou como as pessoas que ?se investem de guardiãs da moralidade, quando na verdade são movidas por interesses meramente pessoais?. São divergentes as posições do líder do PT, José Eduardo Dutra (SE), e da senadora Heloisa Helena (PT-AL) sobre a necessidade da oposição dispor de cópia da fita para pedir a abertura de processo contra ACM por quebra de decoro parlamentar. Antes de saber da destruição a fita, Dutra disse que a sua apresentação ou não ao conselho ?é irrelevante?. Segundo ele, ACM é quem deve dizer o que declarou aos procuradores. Já Heloisa Helena considera ?fundamental? a anexação da fita ao processo. Ela também deu a declaração antes de saber da iniciativa do procurador. Para a senadora, a falta de dessa prova pode reduzir as investigações sobre o que o ex-presidente do Senado disse ao Ministério Público a um mero debate entre um senador e os procuradores.

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