André Dusek|Estadão
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Senador diz que pede varreduras 'constantes' em seu gabinete

José Medeiros (PDT-MT) afirma que, inclusive, não registra formalmente seus pedidos do procedimento à Polícia Legislativa; 'se isso for motivo de prisão, por favor, me algemem'

Isabela Bonfim e Ricardo Britto, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2016 | 08h56

BRASÍLIA - O senador José Medeiros (PSD-MT) afirmou que seu gabinete recebe varreduras da Polícia Legislativa a seu pedido sem registro formal, em discurso na tribuna do plenário na tarde de segunda-feira, 24. Na lista oficial do procedimento realizado entre 2013 e 2016, divulgada pela assessoria da Presidência do Senado, Medeiros não aparece. Antes suplente, Medeiros assumiu a vaga no Senado após a eleição de Pedro Taques para o governo do Mato Grosso, em 2014.

"Eu, por exemplo, vou confessar uma coisa aqui: faço varredura constantemente no meu gabinete. Se isso for motivo de prisão, por favor, me algemem. Mas nós tratamos aqui de assuntos que por vezes são de interesse da Nação e contrariamos grandes interesses", afirmou. Sua fala está registrada nas notas taquigráficas do Senado Federal.

A relação com 32 registros foi divulgada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Aliás, o Pedro (Ricardo Araújo Carvalho), que é o chefe da polícia, está me devendo uma varredura no meu gabinete. Não mandei por documento, mas solicitei também uma varredura", afirmou o senador, em referência ao diretor da Secretaria de Polícia do Senado, que foi preso na ação da Polícia Federal na sexta passada, 21.

A Polícia Federal informou que a operação verificava a realização de varreduras para desmontar grampos autorizados pela Justiça em residências de senadores investigados. A denúncia foi feita por um policial legislativo que, em entrevista ao Estado, confirmou a realização de varreduras "secretas", por meio de "ordem de missão oculta".

As ações "não numeradas" não aparecem nos registros oficiais do Senado. “Ordem de missão não numerada não é normal porque todo documento oficial tem de ter um controle do órgão", disse o policial denunciante. 

Em entrevista coletiva na segunda-feira, 24, Renan negou que houvesse qualquer procedimento de varredura não numerado. "Todas as varreduras pedidas foram registradas, não há nenhuma anomalia", afirmou. 

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