Senador diz que não deixará o cargo durante apurações

De acordo com Renan, licenciar-se 'significaria compactuar com quem busca condenar sem provas'

Rosa Costa e Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2007 | 05h40

Esgotados os artifícios para retardar as investigações sobre a origem de seu patrimônio, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou a afirmar ontem que não vai se licenciar do cargo durante as apurações do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Ele é acusado de ter despesas pessoais pagas com recursos de uma empreiteira. Ao fazer um balanço dos trabalhos do Senado neste primeiro semestre, Renan se lamentou mais uma vez e disse que está submetido a "verdadeiras acusações sem provas". Observou ainda que afastar-se do cargo "significaria compactuar com quem busca condenar sem provas". "Esse processo está um pouco esquizofrênico. Se eu apresso, estou apressando para enterrar o processo; se sigo a Constituição e o regimento, estou atrasando, delongando, para tirar benefícios desse atraso, dessa delonga", reclamou Renan, quatro horas depois de a Mesa Diretora do Senado ter decidido pedir à Polícia Federal o aprofundamento da perícia nos documentos entregues por ele que comprovariam ganhos de R$ 1,9 milhão com a venda de gado.Renan qualificou o processo contra ele de "surrealista" e previu: "É uma coisa que vai se arrastar por muito tempo."Assim que chegou ontem no meio da tarde ao Senado, Renan declarou-se "absolutamente inocente". "Não há fato novo. Estou convicto da minha inocência", disse. Garantiu ainda que não perdeu o apoio dos senadores.   DiálogoNa campanha para ser absolvido das acusações pelos seus companheiros de Senado, Renan argumentou que não é arrogante nem presunçoso e garantiu que tem "bom diálogo" com a oposição. "Tentaram, de todas as formas, jogar-me contra a oposição, que também me elegeu nesta Casa e cumpre democraticamente um papel fundamental e indispensável na construção das leis e na fiscalização dos atos do governo", afirmou. "Não conseguiram. Em nenhum instante, na cadeira de presidente, deixei de prestigiar o PSDB e o DEM, tanto quanto os demais partidos. Não houve e não haverá qualquer discriminação partidária." No discurso de cerca de meia hora, o presidente do Senado afirmou que tem pressa para que o processo contra ele chegue ao fim. "Atendi a tudo que me foi solicitado e ainda mais. Enviei todos os documentos solicitados pelo Conselho de Ética, para que tenhamos um processo imparcial, judicialmente correto, verdadeiro e transparente, como aqui foi muito defendido." Renan aproveitou ainda para dizer que tem "apreço pela imprensa". Nas últimas semanas, o presidente do Senado tem travado diálogos ríspidos com os jornalistas.   Férias  Ao fim do discurso, depois de ressaltar que o Senado fez cerca de 600 votações em 57 sessões no primeiro semestre, Renan elogiou a Mesa Diretora. "Temos hoje uma Mesa totalmente comprometida com a instituição", disse. "Trabalhamos com afinco nesta primeira metade de 2007 e repetiremos o empenho no segundo semestre quando tenho certeza de que nos concentraremos nas questões que realmente interessam ao Brasil e ultrapassaremos os impasses e rumores que nos tiram, em alguns momentos, dos trilhos do trabalho e da produtividade", concluiu Renan. Segundo a assessoria do Senado, Renan sai hoje de férias com a família.

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