Beto Barata/AE-12/4/2012
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Senador diz que dívida será paga ao BB em 30 anos

Defesa de Demóstenes afirma que ‘outros R$ 400 mil" que completam a compra foram quitados pela mulher dele

28 de abril de 2012 | 17h00

 BRASÍLIA - O senador Demóstenes Torres, (sem partido-GO) informou, por meio do seu advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que financiou o apartamento pelo Banco do Brasil em 30 anos e que terá o salário descontado em R$ 9 mil por mês. O advogado de Demóstenes, porém, não quis enviar cópia do holerite do senador para comprovar o registro do desconto.

O restante do pagamento pelo apartamento - R$ 400 mil - foi pago à vista pela mulher dele, Flávia. Com relação à reforma do apartamento, Kakay informou que não comentaria áudios da Operação Monte Carlo. A defesa de Demóstenes pede a anulação da investigação. Gravações indicam que o senador teria recebido R$ 1 milhão de Cachoeira.

Em entrevista gravada ao Estado, o advogado da Construtora Orca, Brandão de Souza Passos, afirmou que a negociação foi legal e registrada. “Nem sei se poderia falar isso. Nosso diretor (Wilder Morais ) tava assim com problemas conjugais, pensou em comprar esse imóvel para uso próprio, mas depois reatou com a esposa, a relação durou mais um pouquinho e aí o senador se interessou e comprou.” Wilder era casado com Andressa Mendonça, atual mulher de Carlinhos Cachoeira.

À vista. Segundo Passos, Wilder nem chegou a ocupar o apartamento, que teria sido comprado por “R$ 1 milhão e pouquinho” da Vera Cruz Participações e depois vendido por R$ 1,2 milhão. “15% tá bom. Para mim é muito, para a empresa talvez não seja.” O pagamento de R$ 400 mil, afirma ele, foi feito à vista com um cheque assinado por Flávia, esposa do senador.

Questionado sobre a ocupação dela, Brandão disse que não saberia informar e também não poderia “se aventurar” a dar detalhes da reforma no apartamento. Sobre a proximidade do negócio com as eleições, Brandão respondeu: “Talvez. Aí a gente vai chegar também no ponto do divórcio. Não tem nada a ver. Ainda que tivesse, não é o caso, estou te provando com documentos”.

A reportagem ligou para casa de Wilder às 11h de sexta-feira e, segundo funcionário da casa, ele estava dormindo. Ele não foi localizado na Secretaria de Infraestrutura de Goiás. Foi deixado um recado com a assessoria de imprensa, mas ele não retornou.

O empresário de Anápolis declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 14 milhões. Em uma das interceptações, Wladimir Garcez, ex-vereador em Goiânia e interlocutor de Cachoeira com Perillo, alega que Wilder vai organizar jantares no apartamento de Demóstenes para empresários. / A.R. e F.F.

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