Senador diz que apenas despachou decisão sobre rádio

Renan ainda sobe à tribuna para acusar Editora Abril de fazer negócio irregular e acena à oposição com trégua

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou ontem a acusar a Editora Abril de fazer negócios ilegais, ao mesmo tempo em que demonstrou irritação com a repercussão da renovação da concessão da JR Radiodifusão, que tem seu filho entre os sócios. Ele assinou a medida, publicada anteontem no Diário Oficial da União.Em entrevista, Renan se defendeu dizendo que apenas assinou o decreto. "O presidente do Senado despacha o expediente. Ele informa às pessoas o que acontece. Não é o Congresso que aprova, são as comissões técnicas", disse. "Às vezes, as pessoas divulgam as coisas e não prestam atenção no que fazem."A emissora, que ganhou concessão por mais dez anos, está em nome de José Renan Calheiros Filho - que assumiu a parte de Carlos Santa Rita - e Ildefonso Antonio Tito Uchôa Lopes. Esses últimos são apontados como sócios ocultos do senador. Santa Rita é funcionário do peemedebista em Brasília e Tito Uchôa, primo do senador.Mais tarde, em sessão no Senado, Renan focou suas declarações na Editora Abril, que publica a revista Veja - autora de várias denúncias contra ele -, e evitou abordar novamente o caso da prorrogação da concessão.DISCURSOMais uma vez - pela segunda vez na semana - o senador deixou seu posto na Mesa e ocupou a tribuna para atacar a Editora Abril. De acordo com Renan, a empresa fez negócios suspeitos ao vender o controle acionário da TVA para a Telefônica.Ele classificou a transação de "tentativa de fraude à lei brasileira, negócio escuso e pantanoso". Disse que o objetivo é repassar "ilegalmente" à Telefônica 100% do controle da TVA, 86,7% da Comercial Cabo e 91,5% da TVA Sul. O senador informou que enviou ontem à Polícia Federal, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Ministério das Comunicações, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao governo e Parlamento espanhóis ofícios sobre a transação, na tentativa de que seja "abortada". "Para tentar fraudar a lei, ludibriar o País, a editora que se arvora em guardiã da lei, que vive a enxovalhar pessoas sem provas, é a mesma editora que recorre a métodos pouco ortodoxos de formação de um verdadeiro pomar, de um verdadeiro laranjal, tamanha a quantidade de laranjas criados, se tal proposta for adiante", disse.A Editora Abril divulgou nota dizendo que as revelações sobre Renan "foram rigorosamente apuradas e, portanto, as confirma integralmente". E completou: "É fruto do desespero do senador a acusação leviana de que ainda haja alguma coisa a verificar na transação entre a TVA e a Telefônica."No discurso de 11 minutos, Renan ainda acenou com um pedido de trégua - dois dias após ter partido para o confronto com a oposição e feito insinuações sobre o líder do DEM, José Agripino (RN). "Podem contar com minha absoluta e integral correção."

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