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Senador baiano se desfilia do PT e culpa governo Dilma

Walter Pinheiro levou em consideração o desembarque do PMDB, nesta terça; por enquanto, ex-petista não vai se filiar a outro partido

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2016 | 18h07

Brasília – Após 33 anos de filiação ao PT, o senador baiano Walter Pinheiro decidiu sair do partido e, em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, apontou o governo da presidente Dilma Rousseff como o maior culpado por ele deixar a legenda. Para o parlamentar, a gestão da petista se distanciou das propostas da legenda e tampouco cumpriu o programa de governo proposto pelo partido.

“Com certeza (foi culpa do governo), até pela forma. Não quero falar mal de partido nenhum, mas no Brasil não temos partido de santo nem eu sou santo. Não estou saindo do PT para sair do inferno para ir para o céu. A posição do governo nos fragilizou, fragilizou a economia e nossas relações políticas”, afirmou o ex-petista, para quem a Operação Lava Jato não pesou em sua decisão e que ela deve ser vista como positiva.

O ex-petista afirmou que a gestão Dilma revelou ter sido convidado para ser líder do governo. Mas ele negou o pedido. “Não posso ser líder de um governo que não dialoga nem comigo. Eu vou ser líder de um governo aqui como? Se o governo é incapaz de discutir com os senadores da própria base. Não estou saindo para um processo de oposição ao governo”, destacou.

Pinheiro disse que, desde 2011, vinha se afastando do governo, tendo mais desencontros com ele do que com o partido. Ele disse que não deixa a legenda – não vai se filiar, neste momento, a nenhum partido – como um “estilingue” que vai “atirar pedras” como se não tivesse feito parte do governo.

Para o senador, as condições da gestão Dilma se agravaram com a decisão do PMDB de romper com o governo nesta terça-feira, 29. Embora não diga como votará caso o impeachment chegue ao Senado, ele não descarta a possibilidade de a presidente perder o mandato por decisão do Congresso. Ele fez questão de dizer que desde novembro do ano passado, quando o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ainda não havia admitido o impeachment, vinha conversando com aliados de dentro e fora do PT sobre sua eventual desfiliação.

Com a desfiliação de Pinheiro, o PT passará a empatar com o PSDB em número de senadores, 11 cada um. A legenda ainda pode perder mais um senador, uma vez que o gaúcho Paulo Paim também tem discutido deixar o partido.

O senador baiano, que já foi vereador por Salvador e deputado federal, apresentou na manhã desta terça sua carta de desfiliação da legenda ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia e ao diretório municipal do PT de Salvador. Em mensagem a pessoas próximas, Pinheiro disse ter encerrado, após uma reflexão profunda, “minha única filiação”.

“Agradeço pelas coisas boas, pelo apoio, pelas amizades, por tudo que vivenciei na vida pública e tudo que foi possível construir”, disse.

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