Senado valida 152 atos considerados secretos

Sobrinha de Sarney pode continuar na Casa, assim como filha de Silas Rondeau

Leandro Cólon, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

A diretoria-geral do Senado divulgou ontem a lista de 152 atos considerados secretos, mas que foram convalidados porque, embora tenham sido escondidos do Boletim de Administração de Pessoal, foram publicados no Diário Oficial do Senado. Sobraram, no total, 511 atos secretos editados desde 1995, entre eles os que beneficiaram aliados e parentes do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). A existência desses boletins foi revelada pelo Estado no dia 10 de junho. Pelo menos 79 servidores nomeados por atos secretos ainda continuam no quadro da Casa e podem ser beneficiados pela decisão do diretor-geral, Haroldo Tajra, de não demiti-los imediatamente. Bastará um pedido do gabinete que emprega o funcionário para que o Senado o mantenha no quadro. Nesse grupo está uma sobrinha de Sarney, Maria do Carmo de Castro Macieira. Ela foi nomeada em 29 de junho de 2005 para trabalhar no gabinete de Roseana Sarney (PMDB-MA), então senadora.Hoje, Maria do Carmo trabalha para o suplente de Roseana, Mauro Fecury (PMDB). No discurso aos senadores na quarta-feira, Sarney afirmou que não sabe quem é a sobrinha. "Eu confesso que não sei quem é. Tem o nome de Macieira, mas também não sei quem é", disse. Macieira é o sobrenome da mulher de Sarney, Marly. RONDEAUNomeada por ato secreto, Nathalie Rondeau também poderá continuar trabalhando no Senado. Ela foi nomeada em agosto de 2005 para exercer função de assessora no Conselho Editorial. Aspirante a modelo, Nathalie é filha do ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, afilhado político de Sarney. O senador é quem preside o Conselho Editorial, órgão responsável pela seleção dos livros que são impressos pela gráfica do Senado. Bastará um pedido de Sarney para que a diretoria-geral da Casa a mantenha na lista de funcionários de confiança.No discurso de quarta-feira, Sarney negou parentesco com Nathalie, mas não informou aos senadores que ela era filha de Rondeau. "Também não é minha parenta. Não tenho nenhuma ligação de parentesco com ela", alegou.NAMORADOPode ser salvo também Henrique Dias Bernardes, ex-namorado de Maria Beatriz Sarney, neta do senador. Ele foi nomeado por ato secreto em abril do ano passado, depois de uma negociação entre Sarney, seu filho Fernando Sarney - pai de Beatriz - e o ex-diretor-geral Agaciel Maia, conforme gravações feitas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, divulgadas pelo Estado no dia 22 de julho. Lotado no serviço médico do Senado, Bernardes poderá permanecer no emprego, mesmo tendo sido nomeado por ato secreto. Dependerá apenas da vontade de sua chefia imediata.O presidente da Casa admitiu na tribuna que ajudou a neta a empregar o então namorado. "Se pudermos ajudar legalmente, qualquer um de nós não deixa de ajudar", afirmou. Segundo o pente-fino da diretoria-geral, apenas a nomeação de Vera Macieira, sobrinha de Sarney, saiu no Diário Oficial do Senado em maio de 2003. Na época, porém, Agaciel escondeu o ato do boletim interno de pessoal, acessado pelos funcionários e profissionais que fazem a cobertura jornalística da Casa.

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