Senado vai investigar empresa de grampo

A Comissão de Fiscalização e Controle do Senado (CFC) vai investigar as atividades da empresa Fence Consultoria Empresarial, encarregada de fazer a "varredura" nos telefones do Ministério da Saúde e de outros órgãos federais. A iniciativa do senador Geraldo Althoff (PFL-SC) é apoiada pelo PFL. O partido suspeita que a empresa teria espionado os negócios da candidata à presidência e governadora do Maranhão, Roseana Sarney. A CFC aprovou dois requerimentos de Althoff. Um deles solicita o comparecimento à comissão do ministro da Saúde, Barjas Negri, para prestar esclarecimentos sobre a contratação da empresa pela pasta. O outro propõe que, com a ajuda do Tribunal de Contas da União (TCU), a CFC fiscalize os contratos firmados entre a União e seus órgãos da administração direta e indireta com a Fence. Por se tratar de uma investigação, o presidente da comissão designou como relator o Jefferson Péres (PDT-AM).As suspeita de Geraldo Althoff sobre irregularidades na ligação da empresa com o ministério são baseados em dados do Sistema Integrado de Administração Financeiras (Siafi), onde são relacionados os pagamentos feitos pelo Tesouro Nacional. De acordo com o senador, nos primeiros meses deste ano, o ministério da Saúde emitiu ordens bancárias em favor da Fence Consultoria Empresarial no valor de R$ 351,8 mil. Ele chama a atenção para a diferença deste valor com o que foi pago por outros órgãos igualmente atendidos pela empresa, no mesmo período. Os pagamentos feito pelo Superior Tribunal de Justiça em janeiro, fevereiro e março, somaram R$ 45 mil. A conta paga pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal Militar em fevereiro e março é ainda menor, respectivamente, de R$ 6,9 mil e R$ 6,1 mil. Para o senador, a diferença nos valores pagos, "aliados à repercussão das notícias veiculadas nos últimos dias, não podem passar despercebidas pela comissão". Althoff defende que a disparidade no total de recursos destinados à varredura de aparelhos de telefone reforça a suspeita sobre possível prestação "serviços estranhos aos contratos e aos interesses públicos pela empresa".

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