Senado tem pressa em acabar com voto secreto

A informação dos peritos da Universidade de Campinas (Unicamp) de que o painel do Senado pode ser fraudado novamente apressou a decisão dos senadores de votar o projeto do senador Tião Viana (PT-AC) que acaba com o voto secreto na definição de perda de mandato de parlamentares. A proposta será debatida na próxima terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e ironicamente o relator será o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), envolvido no processo de violação do sistema eletrônico do Senado e que corre riscos de ter o mandato cassado. Segundo senadores ligados a ACM, ele é favorável ao projeto.A idéia tem apoio da maioria dos senadores que estão empenhados em votar a proposta ainda esta semana. Se aprovada, a medida entra em vigor imediatamente. "Não há razão ética ou moral para manter o voto secreto", afirmou Tião Viana, que defende o fim total do voto secreto, embora reconheça a dificuldade disso. Viana recebeu a garantia do presidente da CCJ, Bernardo Cabral (PFL-AM) que o projeto será agilizado. A senadora Heloísa Helena (PT-AL) apresentará emendas ao projeto acabando com voto secreto em várias outras situações, mas ainda não definiu quais.O primeiro-secretário do Senado, Carlos Wilson (PPS-PE), também é favorável à extinção do voto secreto, exceto para eleições da Mesa, que na sua opinião devem ser mantidas sigilosamente para evitar constrangimentos aos parlamentares. "Não há motivos para manter o voto secreto utilizando o painel, pois não temos mais segurança no sistema", desabafou. Já o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) é mais radical do que Wilson, atacando o voto secreto em todas as situações. "Sou inteiramente a favor do voto aberto", afirmou.

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