Senado rejeita convocação de promotor do caso Bancoop

José Carlos Blat, do MP paulista, acusa tesoureiro do PT de desvio de recursos de cooperativa ligada à sigla

Carol Pires, da Agência Estado,

10 de março de 2010 | 11h54

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado rejeitou, há pouco, pedido do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para que o promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, participasse de audiência para explicar as denúncias contra o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O promotor acusa o petista de ter desviado R$ 100 milhões da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) para caixa 2 do partido.  

  

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O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), orientou a base aliada a votar contra o requerimento do senador tucano. O pedido foi vencido por 10 votos a 9. Jucá argumentou que a CCJ não poderia ser usada como "palanque eleitoral" e ressaltou que a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, na terça-feira, 8, a instalação da CPI da Bancoop, que investigará o caso.

 

Sem citar nomes, Jucá também ressaltou que a base aliada não tentou trazer para o Senado as crises políticas estaduais, nem tentou convocar "governadores da oposição", provavelmente se referindo ao governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), preso pela Polícia Federal e citado em inquérito como chefe de um esquema de corrupção no governo da capital.

 

O senador Álvaro Dias também apresentou, ontem, requerimento que pede ao Tribunal de Conta da União (TCU) a realização de uma auditoria nas contas dos fundos de pensão Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ); Fundação dos Economiários Federais (Funcef); e Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), para investigar a aplicação de recursos destas entidades na Bancoop. O pedido precisa ser aprovado pelo plenário do Senado antes de ser encaminhado ao TCU.

 

Reportagem publicada pelo Estado revela que investigação comandada por José Carlos Blat aponta desvios da ordem de R$ 100 milhões da Bancoop. Blat está convencido de que uma fatia do montante foi destinada a campanhas eleitorais do PT - ele não aponta valores exatos que teriam tomado esse rumo porque, alega, depende de investigações complementares.

 

Na sexta-feira, 5, o promotor requereu a quebra do sigilo bancário e fiscal de João Vaccari Neto, que presidiu a cooperativa até fevereiro, quando deixou o cargo para assumir o posto de tesoureiro do PT. Também foi pedida uma devassa nos investimentos de dois ex-diretores da entidade, Ana Maria Érnica e Tomás Edson Botelho Fraga. O promotor quer o bloqueio das contas da Bancoop.

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