Senado rejeita convocação de Mantega para depor sobre vazamento da Receita

Líder do governo, Romero Jucá garantiu que o sistema da Receita é seguro e não foi burlado

Rosa Costa e Ana Paula Scinocca, de O Estado de S.Paulo,

01 de setembro de 2010 | 12h38

BRASÍLIA - A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou por 11 votos a oito o requerimento do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para convocar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para depor sobre os vazamentos de dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB, inclusive Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra.

 

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Ao apresentar o requerimento, Álvaro Dias afirmou que, neste caso, como em outros de violação, "segue-se a prática de reconhecer o crime, mas não o criminoso". "Importa-se a responsabilidade criminal a alguém que atuou como coadjuvante e não como responsável central", disse. "Quem comete crime para chegar ao poder, o crime cometerá para se manter no poder", acrescentou Dias. Para o senador, a questão é suprapartidária.

 

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a questão não tem relação com o governo Lula e lembrou que o caso está sendo investigado pela Corregedoria da Receita e pela Polícia Federal. Jucá argumentou que já havia conversado com o ministro Mantega e que ele estaria disposto a comparecer à CCJ desde que fosse convidado e não convocado, o que o obrigaria a depor.

 

Jucá também disse que a quebra de sigilo de Verônica foi feita a pedido dela. O senador Álvaro Dias rebateu as afirmações de Jucá, afirmando que a procuração apresentada ao fisco para requerer os dados da filha de Serra é falsa. "Queremos que a Receita apresente a procuração, inclusive com reconhecimento de firma em cartório. O documento é falsificado", disse Dias. "Estamos diante de uma série de crimes e os marginais da política continuam habitar o subterrâneo do governo".

 

Segundo Jucá, o sistema da Receita é seguro e não foi burlado. Para o líder do governo, não há erro da Receita. "Se houve crime e falha, ela foi de servidores que serão responsabilizados", disse.

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