Senado reage com frieza a discurso de ACM

Apesar do tom incisivo das críticas ao governo Fernando Henrique, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) não exibiu nada que os aliados do Palácio do Planalto tenham considerado como explosivo ou preocupante. A saída de Antonio Carlos do Senado não deve alterar o cenário da Casa, uma vez que a maioria dos senadores foi unânime em ressaltar que o tom amargurado usado na despedida, não trará desdobramentos políticos. Apenas constrangimentos. O ex-presidente do Senado não abriu novas frentes contra o governo federal, embora tenha criticado a política econômica. Concentrou suas baterias contra o próprio Senado, sobretudo entre os integrantes do Conselho de Ética.Depois da leitura, que durou uma hora e cinco minutos, a reação da maioria foi de frieza. À exceção dos pefelistas, que aplaudiram, os senadores optaram pelo silêncio. ACM de ênfase à Bahia e aproveitou para traçar seu rumo: pretende "recuperar o ânimo e voltar ao Senado" no próximo ano, disputando as eleições. "Eu voltei e quero ver se ele voltará", observou o senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ) , um dos alvos de ironia e grosseria de ACM. Mesmo tendo também recebido críticas veladas no discurso, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que ACM teve de renunciar por conta do presidente Fernando Henrique que teria colocado seus aliados para cassar o ex-presidente do Senado. "A maioria das coisas que ele disse é verdade e acho que fez um discurso com categoria e competência", elogiou Simon. O líder do governo noCongresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), que acompanhou de pé o pronunciamento, disse que o governo não está preocupado com o teor do pronunciamento. No entanto, apontou equívocos e rebateu pontos como os trechos em que ACM previu a volta da inflação e o caos. Na avaliação dos governistas, como integrante da base de sustentação do Planalto, ACM não poderia desferir ataques contra um governo no qual teve participação ao longo destes seis anos. "Ele não tem credibilidade para falar nada", protestou o líder do governo, senador Romero Jucá (PSDB-RR). A oposição, por sua vez, vinculou o tom ameno a um entendimento tácito que teria sido feito pela cúpula do PFL e ACM nas últimas 24 horas. O objetivo seria não dificultar o trânsito dos liberais no governo e garantir a manutenção de "carlistas" em cargos federais. Seria esse o principal motivo que não levou o senador a não citar nominalmente ministros do presidente Fernando Henrique.

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