Senado quer investigar ex-diretores; MP pede quebra de sigilo

Processo contra Agaciel e Zoghbi foi pedido por Sarney para apurar envolvimento deles nos atos secretos

22 de julho de 2009 | 17h26

O Senado pediu abertura de processo administrativo disciplinar contra os ex-diretores Agaciel Maia (diretoria-geral), João Carlos Zoghbi (Recursos Humanos) e outros cinco servidores por suposto envolvimento no escândalo dos atos secretos. O pedido, segundo a Agência Senado, foi feito pelo presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), no último dia 6.

 

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Também o Ministério Público Federal pediu a quebra de sigilo bancário dos envolvidos na concessão de empréstimos consignados autorizados por Zoghbi. Segundo reportagem publicada pelo Estado em maio, o pedido foi feito pelo procurador Gustavo Pessanha Velloso, que sugeriu a quebra de sigilo bancário do ex-diretor de RH. A assessoria de imprensa do MPF do Distrito Federal, no entanto, não confirma se Agaciel e outros servidores tiveram a quebra de sigilo pedida alegando que o inquérito é sigiloso.

 

Em maio, a PF abriu investigação para apurar os empréstimos consignados. O inquérito é presidido pelo delegado Gustavo Buque. O ingresso da PF no caso atende pedido de Velloso. Zoghbi é acusado de ter articulado em nome de sua ex-babá Maria Isabel Gomes, de 83 anos, a montagem de empresas que prestaram serviços de consultoria a bancos interessados em negociar com o Senado contratos de empréstimos de crédito consignado.

 

A polícia apura, ainda, a ligação de um neto do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), com o esquema dos contratos de consignados. José Adriano Cordeiro Sarney é dono da Sarcris, que operou no Senado nos últimos anos. Agaciel, Zoghbi e José Adriano negam qualquer irregularidade. Sarney nega interferência em favor do neto.

 

Diálogos

 

Uma sequencia de diálogos gravados pela Polícia Federal com autorização judicial, durante a Operação Boi Barrica, revela a prática de nepotismo explícito pea família Sarney no Senado e amarra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), ao ex-diretor-geral Agaciel Maia na prestação de favores concedidos por meio de atos secretos.

 

Em uma das conversas, o empresário Fernando Sarney, filho do parlamentar, diz à filha, Maria Beatriz Sarney, que mandou Agaciel reservar uma vaga para o namorado dela, Henrique Dias Bernardes.

Em conversa com o filho, alvo da investigação, Sarney caiu na interceptação. Segundo a gravação, o senador se compromete a falar com Agaciel para sacramentar a nomeação. O namorado da neta foi nomeado oito dias depois, por ato secreto.

 

 somDiálogo 1 (30/3/2008 - 15h14min04s): Neta do presidente do Senado negocia com o pai, Fernando Sarney, cargo para o namorado na Casa

 

som  Diálogo 2 (31/3/2008 - 11h34min54s): Neta do presidente do Senado negocia com o pai, Fernando Sarney, cargo para o namorado na Casa

 

som  Diálogo 3 (01/4/2008 - 15h57min00s): Neta do presidente do Senado negocia com o pai, Fernando Sarney, cargo para namorado na Casa

 

som  Diálogo 4 (01/4/2008 - 21h00min53s): Neta do presidente do Senado negocia com o pai, Fernando Sarney, cargo para o namorado na Casa

 

som  Diálogo 5 (02/4/2008 - 09h36min17s): Filho do presidente do Senado, Fernando Sarney, tenta agilizar a contratação do namorado da filha

 

som  Diálogo 6 (02/4/2008 - 10h32min21s): Filho do presidente do Senado, Fernando Sarney, fala com o pai e  pede que ele dê "uma palavrinha com Agaciel" para a contratação e os dois conversam sobre "negócio da TV"

 

som  Diálogo 7 (25/03/2008 - 19h31min29s): Filho do presidente do Senado, Fernando Sarney, conversa com o filho João Fernando sobre o emprego dele como funcionário do senador Epitácio Cafeteira

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