Wilson Pedrosa/AE
Wilson Pedrosa/AE

Senado pede informações por escrito a Pimentel

Ministro do Desenvolvimento terá 30 dias para enviar explicações sobre atuação de sua empresa de consultoria; oposição levanta suspeita de tráfico de influência

Reuters

20 de dezembro de 2011 | 14h08

BRASÍLIA - A Mesa Diretora do Senado aprovou nesta terça-feira, 20, pedido de informações ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, para explicar por escrito suas atividades de consultoria antes de assumir a pasta, informou o primeiro-secretário da Casa, senador Cícero Lucena (PSDB-PB).  A partir do momento em que receber o requerimento, Pimentel terá 30 dias para enviar as explicações.

De acordo com Lucena, que participou de reunião da Mesa nesta terça, é de praxe encaminhar os pedidos de informação protocolados pelos senadores. "Todos os requerimentos foram aprovados... inclusive este", disse a jornalistas. "A mesa vai encaminhar o pedido. Se ele vai responder ou não, aí é outra coisa."

Na quinta-feira da última semana, o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), encaminhou o requerimento de informações à Mesa. No documento, o líder tucano pede detalhes sobre as consultorias prestadas pelo ministro antes de assumir o comando da pasta e após deixar a prefeitura de Belo Horizonte. Alvaro Dias pede também que Pimentel envie cópias das notas fiscais emitidas pelos serviços prestados.

Segundo reportagens publicadas pela imprensa, o ministro teria recebido R$ 2 milhões pelas consultorias prestadas por sua empresa. Pimentel argumenta que o valor é menor do que o informado e compatível com a remuneração do mercado para executivos.

Foi divulgado também que uma das empresas que contrataram a consultoria do atual ministro manteve contratos com a prefeitura da capital mineira quando Pimentel era prefeito, e que ele teria recebido por palestras que não deu.

As informações divulgadas geraram suspeitas de tráfico de influência, situação parecida com a que levou Antonio Palocci a deixar em junho o cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Na ocasião, ele negou-se a divulgar a relação de clientes para os quais prestou serviços antes de assumir o ministério.

Desde o início das denúncias, a oposição tentou por duas vezes convovar o ministro para ir ao Congresso, mas deputados e senadores aliados conseguiram derrubar o requerimento. Na ocasição, a presidente Dilma Rousseff defendeu Pimentel e afirmou que o episódio diz respeito à "vida pessoal" e não havia motivos para dar explicações.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.