Senado paga funcionários em mausoléu de Sarney no MA

Um deles ganhou o cargo em 1995 e recebe R$ 7,6 mil mensais para coordenar projetos da Fundação José Sarney, no centro de São Luís

Rosa Costa e Rodrigo Rangel, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

Dois funcionários que batem ponto no memorial que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mantém em São Luís são assessores do Senado. Um deles ganhou o cargo em 1995 e está empregado na Casa até hoje, com salário de R$ 7,6 mil. Seu nome: Raimundo Nonato Quintiliano Pereira Filho, de 46 anos. "Raimundinho", como é chamado pelos amigos, é coordenador de projetos da Fundação José Sarney, nome que designa a entidade criada pelo ex-presidente da República para preservar sua própria história.O outro empregado da fundação nomeado pelo Senado é Fernando Nelmásio Silva Belfort, de 60 anos. Diretor executivo do museu - e também mausoléu de Sarney -, ele esteve na folha de pagamento da Casa entre agosto de 2007 e abril de 2009, quando a filha de Sarney, Roseana (PMDB), hoje governadora do Maranhão, era líder do governo no Congresso. Recebia salário de R$ 2,5 mil por mês.O caso de Raimundo ilustra bem o desvio de função. Quando foi nomeado, há 14 anos, ele foi lotado no gabinete de Edison Lobão (PMDB-MA) - velho aliado de Sarney que, com sua ajuda, virou ministro das Minas e Energia do governo Luiz Inácio Lula da Silva. À época, Sarney era presidente do Senado. O "assessor" ficou na folha de pagamento. Hoje está lotado no gabinete de Edinho Lobão (PMDB-MA), filho do ministro.Procurado ontem pelo Estado, Raimundo primeiro negou que trabalhasse no Senado. "Eu trabalhei no Senado em 1995", disse. Dois minutos depois, se corrigiu: "Não nego nem confirmo. Não tenho que dar informação a vocês." Maranhense de Caxias, negou peremptoriamente que trabalhasse na Fundação José Sarney. "Me mostre onde isso está escrito", desafiou. Informado que seu nome consta até do site da fundação-museu, ele desligou o telefone.Na fundação, Raimundo é figura conhecida. É o encarregado de resolver os problemas cotidianos da entidade, cuja sede é o histórico Convento das Mercês, no centro de São Luís, que Sarney terá de devolver ao poder público por ordem judicial. O Ministério Público Federal sustenta que um prédio tombado pela União não pode ser doado a entidades privadas.A negativa do funcionário durou pouco. Quem o desmentiu foi o próprio Edinho Lobão, senador que, ao menos no papel, é seu chefe. "Ele está lotado no meu gabinete, mas presta assessoria para nosso grupo político no Maranhão." Indagado sobre a lotação privada, ele respondeu: "No Maranhão a gente faz parte de uma grande família política. Liberei para trabalhar no convento porque, trabalhando para o presidente Sarney, ele está trabalhando para nós."Belfort, o outro encarregado do museu, trocou o emprego em abril por nomeação no governo Roseana, como "gestor de atividades meio" da Secretaria de Assuntos Agrários. No período em que esteve no Senado, Belfort tinha como lotação oficial o gabinete da liderança do governo no Congresso, embora já estivesse com a atribuição de dirigir o museu.A assessoria de Sarney informou que não comentaria as nomeações. O assessor de Roseana disse não conhecer Belfort.

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