'Senado não pode impedir posse de Argello' ,diz Viana

Assessoria de suplente de Roriz diz que ele pode tomar posse ainda nesta terça-feira, mas Mesa não confirma

17 de julho de 2007 | 17h16

O primeiro vice-presidente do Senado, senador Tião Viana (PT-AC), afirmou nesta terça-feira, 17, que o Senado, "infelizmente", terá que empossar o suplente Gim Argello (PTB-DF) no mandato de senador, em lugar de Joaquim Roriz (PMDB-DF), que renunciou, mas poderá abrir um processo contra ele no Conselho de Ética.    Argello é acusado de envolvimento, junto com Roriz, em esquemas de desvios de dinheiro público no Distrito Federal.   "Infelizmente, o Senado não pode impedir a posse dele", disse Viana aos inúmeros jornalistas que aguardam a chegada de Argello desde que assessores deste informaram que ele tomará posse hoje. O processo contra Argello no Conselho de Ética pode ser aberto "imediatamente", segundo Tião Viana.   Ele disse ainda que, de acordo com informações recebidas pelo corregedor do Senado, senador Romeu Tuma, as denúncias contra Argello "são muito graves". E acrescentou: "No momento, o importante é preservar a imagem do Senado." Argello substituirá o ex-senador Joaquim Roriz (PMDB), que renunciou após ser flagrado em escutas telefônicas negociando R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília, Tarcísio Franklin.   A Mesa Diretora do Senado informou que não recebeu nenhum comunicado de que Argello vá assumir o mandato ainda nesta terça-feira, embora a assessoria de Argello tenha confirmado. Ao assumir o mandato, Argello corre o risco de ser investigado pelo Conselho de Ética do Senado, por suspeitas de envolvimento na partilha do mesmo cheque que comprometeu Roriz, de R$ 2,2 milhões. O advogado de Argello, Maurício Corrêa, esteve nesta manhã com o corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), entregou a defesa de seu cliente, mas nada disse sobre eventual posse nesta tarde.   Controle de rádio   Os negócios do futuro senador vão além da corretagem de lotes em áreas públicas da capital federal. Documentos obtidos pelo Estado indicam que o suplente do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) transferiu o controle de uma rádio em Taguatinga para um grupo estrangeiro, o que burla o artigo 222 da Constituição.   De acordo com os registros da Agência Nacional de Telecomunicações e do Ministério das Comunicações, a freqüência 94,5 FM em Brasília está em nome da Fundação Calmerinda Lanzillotti, avó da ex-mulher de Argello. Quem sintoniza a rádio, no entanto, sabe que a emissora é operada pela organização religiosa Rádio Maria, um grupo italiano que constituiu uma fundação em nome de brasileiros.

Tudo o que sabemos sobre:
RorizArgellosuplentesenador

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.