Senado marca sessão reservada com procuradores

Opresidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, senador Ramez Tebet(PMDB-MS), marcou para a próxima semana uma sessão reservada para vai ouvir novamenteos procuradores Guilherme Schelb e Eliana Torelly sobre a conversa entre o senadorAntonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e integrantes do Ministério Público (MP). Emdepoimentos tomados nesta quarta-feira, os dois procuradores não deram detalhes do diálogo,alegando sigilo profissional. Eles concordaram, no entanto, em fornecer, em sessãoreservada, informações da conversa ocorrida em 19 de fevereiro no MP. Em sessão do Conselho realizada nesta quarta-feira, o procurador Luiz Francisco de Souzaconfirmou que ACM disse ter uma ?lista? dos votos da sessão secreta que cassou omandato do senador Luiz Estevão (PMDB-DF).Essa declaração teria sido dada pelo pefelista no encontro no MP com Souza, Schelb eEliana. ?Os procuradores Guilherme Schelb e Eliana Torelly - que falaram ao senadoresem sessão aberta - confirmaram que é verdadeira a essência do que foi publicado pelaimprensa sobre a gravação, mas não entraram em detalhes?, afirmou Tebet. ?Por isso, eu acho que isso já foi muito útil?, disse o peemedebista.O Conselho de Ética é responsável pela análise de um pedido de quebra de decoroparlamentar contra ACM em razão das suspeitas de que ele violou o sistema de votaçãoeletrônica do Senado para obter uma ?lista?.De acordo com o regimento da Casa, ACMpoderá perder o mandato, caso seja comprovado que ele faltou com o decoro.Os 16membros do Conselho poderão concluir o trabalho de apuração em 30 dias, segundoinformou Tebet. A acusação é baseada em reportagens da revista IstoÉ nas quais estãoregistradas partes da reunião no MP.Na avaliação de integrantes do PMDB, o depoimento de Souza ?reforçou? a tese de que opefelista violou o sistema. ?Luiz Francisco deixou claro que não houve montagem?,afirmou o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que é membro do Conselho.A estratégia doPMDB é abrir, cada vez mais, caminho para dificultar a vida de ACM. O senador AnteroPaes de Barros (PSDB-MT), que é visto como inimigo político de ACM, deve ser nomeadopara a relatoria do caso.Na última semana, o nome de Paes de Barros chegou a serindicado pelo líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE) para missão, mas foidescartado em seguida pelo próprio partido.Ao contrário do que avalia o PMDB, a cúpula do PFL acredita que, depois do depoimentode Souza, ficou ainda mais frágil a acusação.?Luiz Francisco deixou claro que, em nenhum momento, ACM confirmou que a relação dosvotos foi tirada do sistema do Senado?, declarou um dos vice-presidentes do PFL, osenador José Agripino Maia (RN).Segundo Agripino, o PMDB não vai conseguir cassar omandato de ACM. ?Essa não passa de uma tênue luz de esperança do PMDB?, disse opefelista.

Agencia Estado,

15 de março de 2001 | 19h39

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