Senado livra Renan da cassação por 40 votos a 35

O presidente do Senado, no entanto, tem mais dois processos contra ele no Conselho de Ética

12 Setembro 2007 | 17h26

Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, se livrou da cassação. Foram 35 votos pela condenação, 40 pela absolvição e 6 abstenções. A decisão dos senadores foi em sessão e votação secretas. Com isso, Renan continua senador por Alagoas e na presidência da Casa. O senador, no entanto, tem mais dois processos contra ele no Conselho de Ética.   Veja também: Especial: Renan escapa da cassação por 40 a 35  Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  'Absolvição macula política brasileira', diz especialista  Galeria de imagens: confusão, soco e discussões Confusão, soco e discussões marcam 'julgamento'   Blog do Piza: Indecorosa absolvição   'Calvário não é só de Renan, é do Senado' PT nega articulação para absolver Renan 'Vou para a igreja rezar', diz Renan após absolvição Deputados e senadores trocam socos antes de sessão Ouça áudio do tumulto no Senado  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado Enquete: você concorda com a absolvição de Renan?   Senadores favoráveis e contrários à cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fizeram intervenções na sessão secreta de julgamento do pedido de cassação do seu mandato. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) contou que antes dessa intervenções, os senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES) apresentaram os argumentos pedindo a cassação do senador.   Depois disso, o senador Almeida Lima (PMDB-SE), terceiro relator e aliado de Renan, disse que não havia provas consistentes contra o senador, pedindo sua absolvição. Ivan Valente disse também que como o sistema de som foi desligado, por causa da sessão secreta, há uma certa dificuldade de ouvir o discurso dos parlamentares. O senador Tião Viana (PT-AC), que está presidindo a sessão secreta, chamou a atenção dos parlamentares que estariam vazando informações à imprensa.   Além de Ivan Valente, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) também "vazou" informações da sessão. Segundo ele, o clima no plenário do Senado esquentou por conta do discurso do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Torres teria dito que considerava "burrice" a forma de defesa adotada pelo senador Renan, pois as provas oferecidas pelo próprio senador foram a causa de ele ter sido condenado no Conselho de Ética. Renan não gostou, de acordo com o deputado, e senadores saíram em defesa do peemedebista.   A sessão secreta teve início às 12h07, com Viana pedindo a saída de todos que não iriam participar do julgamento de Renan. Só permaneceram os senadores, os 13 deputados que obtiveram liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) e outros que tiveram autorização. A decisão do ministro Ricardo Lewandowski foi divulgada na madrugada desta quarta-feira.   Segundo ele, por ser Renan presidente do Senado e do Congresso, todos os parlamentares - deputados e senadores - têm interesse em acompanhar a sessão. Alega ainda que, em sessões secretas da Câmara, é permitido que senadores compareçam. Por conta da decisão, Tião Viana chegou a levantar a hipótese de adiar a sessão das 11 para as 14 horas a fim de recorrer ao STF e impedir a presença dos deputados. Ao se reunir nesta manhã com os outros membros da Mesa do Senado, o adiamento foi descartado.   Protesto dos senadores   Na abertura do julgamento, ainda em sessão aberta, alguns senadores protestaram contra o fechamento. Também houve manifestação contra o voto secreto na Casa. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), por exemplo, sugeriu que a sessão de votação fosse gravada, "mesmo que fique cem anos em sigilo", para que a população possa ter, um dia, acesso ao que foi decidido nesta quarta-feira.   Os senadores do PSDB, como Arthur Virgílio e Alvaro Dias, também pediram mudança no regimento. Virgílio disse que se sente como se estivesse participando "de uma reunião da máfia", por se tratar de uma reunião secreta. "Vamos às escuras decidir o futuro da instituição. Vamos discutir que 180 anos de Senado não podem ser jogados no lixo por compadrio", disse. "Vamos decidir no escurinho do cinema lá dentro", acrescentou.   Depois da confusão, Jungmann procurou o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) para relatar o confronto entre os deputados e seguranças. Chinaglia considerou "inadmissível e inaceitável" o fato e disse que vai pedir investigação rigorosa da agressão aos deputados. Segundo ele, ninguém pode sofrer violência física no Congresso. Chinaglia disse ainda que se tivesse acontecido com senadores no recinto da Câmara ele já teria aberto investigações para apurar responsabilidades.   Tumulto   Antes do início da sessão que julgará o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deputados da oposição e seguranças da Casa entraram em confronto e chegaram a trocar socos. O tumulto era grande na entrada do plenário. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) tentava entrar, foi barrado e, no meio da confusão, ele e um segurança começaram brigar e chegaram a trocar socos antes de serem apartados. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) também partiu para o confronto e chegou a dar um soco em Tião Viana (PT-AC), vice-presidente da Casa e que presidirá a sessão de cassação do mandato de Renan.   Envolvida no tumulto, a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) disse que um dos seguranças chegou a sacar um arma de choque contra Jungmann. "Felizmente ele não usou (a arma)", contou. A deputada saiu do incidente com um pequeno corte no calcanhar que disse ser decorrência de um chute que levou de um segurança. No meio da confusão, disse que perdeu um cartaz que pretendia exibir em plenário durante a votação. O cartaz dizia: "Sessão secreta é a negação do parlamento". A deputada atribuiu o incidente à falta de informação do segurança e acrescentou que se houve quebra de decoro no episódio foi com a segurança e não com os parlamentares.

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