Senado ''lava as mãos'' na demissão de parentes

Mesa não fixa prazo para exoneração de familiares empregados na Casa e resolve deixar para que cada parlamentar aja por conta própria

Denise Madueño e Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2008 | 00h00

Na primeira reunião realizada após a vigência da súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o nepotismo, a Mesa Diretora do Senado, em vez de exigir a demissão dos parentes dos senadores, optou por aguardar que cada um aja por conta própria. A omissão deve ajudar os que preferem ignorar a súmula. A menos, como sugeriu o segundo vice-presidente, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que haja denúncia sobre parentes que continuarem escondidos na folha de pagamento do Senado. "A gente espera que cada senador cumpra a súmula, por isso não discutimos possíveis punições", afirmou. "Mas, se a Mesa souber da contratação de familiares, terá de demitir."A resistência do Senado em cumprir a determinação do STF também é verificada nos Legislativos estaduais, conforme reportagem publicada ontem pelo Estado. Apenas 5 das 26 Assembléias fizeram demissões. Nos governos as exonerações são ainda mais raras.O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), e o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) exoneraram parentes que, antes, negavam ter empregado. Raupp disse ao Estado que tinha lotado em seu gabinete apenas um cunhado. Ontem, demitiu dois sobrinhos e dois cunhados.A senadora Patrícia Saboya, candidata do PDT à Prefeitura de Fortaleza, exonerou ontem o irmão José Moacir Mendes Saboya. Adelmir Santana (DEM-DF) espera manter a filha, Cíntia, em seu gabinete . Foi transferida para a diretoria-geral, onde Adelmir acredita que ficará imune à súmula do STF.CÂMARAAs demissões publicadas no boletim administrativo revelaram a prática de nepotismo cruzado. Um parlamentar contratava o parente do colega que, em contrapartida, empregava um familiar dele. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por exemplo, contratou Priscila Alencar dos Santos, filha do deputado Alexandre Santos (PMDB-RJ). Santos, por sua vez, mantinha em seu gabinete Edna da Cunha Castro, irmã de Cunha.De acordo com a tabela de remuneração, a filha de Santos recebia R$ 7.080,00, contando com a gratificação de gabinete, e a irmã de Cunha, R$ 6.010,78. O boletim mostra que o deputado Dilceu Sperafico (PP-PR) tinha como secretária parlamentar a cunhada do deputado Nelson Meurer, Isaura da Silva Meurer. O próprio Meurer teve de demitir outra cunhada, Noemi Meurer.O boletim revela grande número de cunhados demitidos. Foram publicadas demissões também de filhas e mulheres de deputados. Pelo menos 15 parentes constam do documento.

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