Senado já discute sucessão de Renan

Único consenso até agora é a rejeição do ex-presidente José Sarney

Luciana Nunes Leal e Eugênia Lopes, do Estadão,

13 de outubro de 2007 | 12h55

A discussão sobre a sucessão de Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado já produziu um consenso: a rejeição ao nome do ex-presidente da Casa José Sarney (PMDB-AP). Oposicionistas não aceitam Sarney por causa das ações em defesa de Renan, investigado em três processos no Conselho de Ética, e pela proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E os governistas descartam o ex-presidente porque estão em busca de um nome de consenso, para evitar que a oposição lance um candidato. Depois da licença de 45 dias anunciada por Renan na última terça-feira, vários peemedebistas passaram a defender o nome do companheiro de partido Pedro Simon (RS) para a presidência. "Existe muita resistência ao nome de Sarney. É preciso encontrar um nome no PMDB que seja consenso para evitar uma disputa na sucessão do comando Senado", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES). "A regra é clara: a presidência cabe ao maior partido que, no caso, é o PMDB", afirmou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), ao afastar as especulações de que o seu partido estaria de olho na presidência do Senado.  A sucessão tem sido discutida porque há uma avaliação predominante de que Renan não terá condições de retomar o cargo de presidente ao fim da licença, pois sua volta retomaria o clima de tensão e guerra que predominou no Senado nos últimos meses. Pela tradição de que o maior partido ocupa a presidência, o cargo continuaria com o PMDB. Simon, na avaliação de parte dos peemedebistas, transmitiria uma imagem de seriedade ao Senado e teria o respeito da situação e da oposição. Falta, no entanto, combinar com o governo, que em princípio não aceita Simon, por causa da postura independente. "É preciso ver que Pedro Simon na presidência do Senado seria bom para o governo. Ele faria uma transição com muita seriedade e não ia botar a faca no peito do governo, exigindo cargos em estatais, ministérios ou atrasando a votação da prorrogação da CPMF", diz o senador Gerson Camata (PMDB-ES). "Além disso, o PMDB deve fazer um reparo ao que aconteceu com Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos", lembra Camata, referindo-se ao fato de que os dois senadores foram perderam suas vagas na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ), em uma ação patrocinada por aliados de Renan Calheiros. A péssima repercussão da retirada de Simon e Jarbas, no entanto, fez o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), reconduzi-los à CCJ. Embora insista que não quer a presidência do Senado, o próprio Camata é uma alternativa à sucessão de Renan, se os governistas impedirem o avanço de Pedro Simon. Outro nome em discussão é de Garibaldi Alves (PMDB-RN), que considera "prematura" falar em sucessão de Renan neste momento. Garibaldi não se apresenta como possível candidato, mas acredita que o PMDB não conseguirá levar adiante uma candidatura de Pedro Simon, por causa da pressão do governo. "A saída de Renan da presidência deu um desafogo. Mas ficou um ranço dessa briga, o clima era de muito ódio e ainda não está resolvido. O governo tem grande interesse nisso (a sucessão de Renan), haverá resistência a Pedro Simon", diz Garibaldi. O senador diz que há "grande inibição" em se falar na sucessão de Renan. "Na situação atual, você sabe quem é contra, mas não quem é a favor. Não vai ser fácil um nome decolar agora", diz Garibaldi. Integrantes da Executiva do PMDB apostam que dificilmente o nome de Pedro Simon será aceito pelo Palácio do Planalto. "A chance de ser o Simon é zero. O presidente do Senado e conseqüentemente do Congresso nunca vai ser de oposição", argumentou um peemedebista.  Para o oposicionista Álvaro Dias (PSDB-PR), "o ideal seria que Pedro Simon aceitasse (suceder Renan), porque teria o apoio da oposição, mas a questão é se o governo aceitaria o nome dele". "Por inteligência, o governo deveria aceitar. Pedro Simon é uma pessoa responsável, que nada faria em desfavor da governabilidade". Dias, no entanto, também não quer falar em sucessão agora. "Primeiro, temos que cassar o mandato do senador Renan Calheiros. Antecipar esse processo seria prejudicial, porque a prioridade é a cassação", afirma."

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