Senado investigará denúncia contra ex-diretor

Sindicância é criada para apurar se Zoghbi usou babá como laranja para abrir empresas

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

28 de abril de 2009 | 00h00

O Senado instaurou ontem sindicância para apurar denúncia de que o ex-diretor de Recursos Humanos José Carlos Zoghbi criou três prestadoras de serviços de fachada - em nome de Maria Izabel Gomes, de 83 anos - para receber irregularmente de empresas que faziam negócios com a Casa e de bancos que operavam crédito consignado.Maria Izabel foi ama de leite e babá de Zoghbi. Segundo a revista Época desta semana, as empresas em nome da babá faturaram pelo menos R$ 3 milhões em um ano e meio.Boa parte do dinheiro, cerca de R$ 2,3 milhões, teria sido repassada pelo Banco Cruzeiro do Sul. Em nota, o banco destacou a idoneidade e regularidade de todas as suas operações. Zoghbi não se manifestou. O ex-diretor perdeu o cargo após ter sido flagrado emprestando um apartamento funcional do Senado a um de seus filhos. O ato foi assinado pelo diretor-geral, Alexandre Gazineo.Ontem Gazineo atendeu ao pedido feito há quase dois meses pelo primeiro-secretário da Casa, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), de abrir sindicância para apurar o episódio do apartamento, que só pode ser utilizados por servidores da Casa. O primeiro-secretário disse que "estranhou" a demora. "Eu quero saber porque tanto atraso."Técnicos do Senado destacam que, após esse procedimento inicial, será aberto processo administrativo que poderá resultar na demissão de Zoghbi por justa causa. A prática adotada pelo Senado até agora, porém, tem sido a de punir os desvios de seus servidores com suspensão de, no máximo, 90 dias.NEPOTISMOA mulher do ex-diretor, Denise Zoghbi, é aposentada do Senado. Ela voltou à Casa, nomeada para o cargo de diretora do Instituto Legislativo Brasileiro (Interlegis), mas acabou sendo exonerada no final de 2008, juntamente com outros seis parentes do casal, em atendimento à súmula antinepotismo do Supremo Tribunal Federal (STF).Sete integrantes da família Zoghbi usaram 42 passagens das cotas fornecidas pela Câmara a 12 deputados federais para viagens ao Brasil e ao exterior.

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