Senado instala CPI das ONGs e manobra tira relatoria do PMDB

Boicote ao senador Valter Pereira, que já estava acertado para a função, acontece por influência do governo

Ana Paula Scinocca, do Estadão

03 de outubro de 2007 | 16h13

O senado instalou nesta quarta-feira, 3, com quase um ano de atraso, a CPI que irá investigar a atuação das Organizações Não-Governamentais(ONGs). Em reunião no início da tarde, o senador Raimundo Colombo (DEM-SC) foi escolhido presidente da comissão. Uma reviravolta na base do governo, no entanto, impediu a confirmação do senador Valter Pereira (PMDB-MS) para a relatoria.   O boicote a Pereira, cuja indicação já estava acertada, ocorreu por influência do Palácio do Planalto, que teme um peemedebista no posto sobretudo após movimento do partido na semana passada que culminou com a derrubada da medida provisória que criava a secretaria de Planejamento de Longo prazo. A derrubada da medida provisória foi comandada por Pereira.   Outro temor dos petistas é a exposição que poderá sofrer a líder do PT, Ideli Salvati (SC), caso a relatoria não fique com um senador "mais confiável". Ideli tem sofrido acusações de envolvimento com a liberação de recursos por meio de ONG. A tentativa do governo agora é emplacar o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) para a relatoria.   A decisão sobre o futuro relator e primeiro vice-presidente da CPI deverá ser tomada na próxima terça-feira. Boicotado para a relatoria, Pereira admitiu ter sido surpreendido com o veto a seu nome comunicado hoje pelo líder do PMDB, Valdir Raupp (RO). "O jogo político é cheio de surpresas. Eu tive uma surpresa já que minha indicação estava acertada pela bancada", afirmou.   Irritado, Pereira solicitou a Raupp uma nova reunião com os senadores peemedebistas ainda nesta quarta.   Questionado se considerava o veto a seu nome uma vingança pelo fato de ter comandado a votação contra o governo an semana passada, o senador respondeu: "eu não voltaria atrás. Agi de acordo com a minha consciência e meu voto foi técnico". Valter Pereira ainda avisou que se a CPMF chegar ao Senado nos moldes em que se encontra hoje, novamente votará contra o Planalto. "A CPMF, do jeito que está, é difícil de ser digerida. Se houver mudança que a torne palatável..."

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