Senado fará alterações no painel eletrônico

O Senado vai fazer mudanças físicas e de informática no painel eletrônico do plenário, mas isso pode não ser suficiente para que os senadores voltem a ter confiança na inviolabilidade das votações das sessões secretas. A concorrência para escolha da empresa que vai desenvolver o novo programa de computadores já está em curso e os envelopes com as primeiras propostas deverão ser abertos em janeiro. A principal inovação do novo sistema eletrônico é a criação de senhas pelos próprios senadores e só por eles conhecidas. Uma das principais falhas apontadas pelos peritos da Unicamp foi o atual sistema de senhas, já que vários funcionários têm conhecimento delas.O Prodasen e o próprio Senado realizarão as mudanças físicas, como a construção de salas com acesso especial, sistemas de vídeo para monitoramento de acesso e principalmente um compartimento específico para o computador central do Sistema Eletrônico de Votação. ?Vamos ver todas as mudanças e só então avaliar se dá para confiar no novo sistema?, disse o senador Carlos Wilson (PPS-PE), primeiro-secretário da Mesa Diretora do Senado. ?Mas, acho melhor que usemos o sistema tradicional para as votações secretas; é simples e seguro?, opina o senador. A desconfiança no sistema eletrônico é compartilhada pelo próprio presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS). O senador raciocina que, se nem a Nasa, nos Estados Unidos, consegue defender seu sistema eletrônico de invasores, não dá para confiar que o painel passará a ser indevassável, mesmo com as mudanças. SenhasO novo sistema com senhas criadas pelos próprios senadores é considerado mais seguro pelo secretário-geral da Mesa Diretora, Raimundo Carreiro. Pelo atual sistema, ele é um dos guardiães das senhas dos senadores, já que é o Prodasen que as elabora e repassa aos senadores. No Prodasen, a previsão é de que as inovações sejam implantadas até agosto do ano que vem. Mas o primeiro-secretário da Mesa Diretora do Senado, Carlos Wilson, quer que o ano 2002 seja iniciado no Senado pelo menos com a nova estrutura eletrônica. ?Vamos tirar todas as dúvidas e pedir aos técnicos da Unicamp que façam um auditoria de certificação depois de concluída a reforma?, disse Carreiro. A confiança no sistema eletrônico do painel do plenário do Senado caiu por terra quando o então presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães declarou ter tido acesso à lista de votação da sessão secreta em que foi cassado o ex-senador Luiz Estevão, em junho do ano passado. A então diretora do Prodasen ? órgão responsável pelo sistema de processamento de dados do Senado -, Regina Borges, violou, segundo ela, por ordem do ex-líder do Governo, José Roberto Arruda, os computadores do painel para obter a lista, revelando quais senadores votaram a favor ou contra a cassação de Estevão.

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