Senado exonera 50 diretores e vai economizar R$ 400 mil

Valor da economia é mensal; continuiadade de 131 diretores na Casa ainda dará gasto de R$ 12 mi ao ano

Ana Paula Scinocca, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2009 | 18h48

Depois do escândalo com a revelação de que o Senado possuiu 181 diretores, a Casa divulgou nesta sexta-feira, 20, a lista de nomes e respectivos cargos dos 50 diretores exonerados. A dispensa dos funcionários representará uma economia mensal de R$ 400 mil, segundo o diretor geral do Senado, Alexandre Gazineo. A permanência de outras 131 diretorias, no entanto, continuará a produzir gastos mensais estimados em R$ 1,048 milhão ou cerca de 12 milhões por ano. Nesta sexta, o primeiro secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), prometeu mais demissões para a próxima semana. Mas não quis, porém, se comprometer com números.

 

Veja também:

lista Confira a lista de nomes dos diretores exonerados

linkSarney criou 70% das 181 diretorias do Senado

linkHeráclito fará novos cortes no Senado na próxima semana

 

Entre os diretores que vão perder suas funções imediatamente estão Elias Lyra Brandão e Francisco Carlos Melo Farias - responsáveis, respectivamente, pela coordenação administrativa de residências e a coordenação aeroportuária, conhecida como diretoria de check in. Farias era responsável por assessorar os senadores no Aeroporto Internacional de Brasília, nos embarques e desembarques. Ele trabalhava fisicamente no aeroporto. Já Brandão administrava os apartamentos funcionais do Senado e ficava instalado no subsolo de um dos imóveis.

 

Heráclito afirmou que os primeiros afastados trabalhavam em órgãos que não comprometem o que chamou de "áreas estratégicas" da Casa. Quem também perdeu o cargo ontem foi Cristiane Tinoco Mendonça, que era secretária do ex-diretor geral da Casa Agaciel Maia. Cristiane ocupava um apartamento funcional e ingressou no Senado na função de telefonista.

 

O ato chama a atenção por misturar servidores tidos como de primeiro nível, e que realmente exerciam função de direção, com outros que se limitavam a receber pelo cargo. Segundo explicou Gazineo, os diretores do quadro dispensados perdem as gratificações, que variam de R$ 2.064,01 a R$ 2.229,13, e voltam às suas funções originais.

 

Neste primeiro momento, foram afastados apenas diretores concursados, ainda segundo ele. "Nenhum diretor comissionado foi exonerado porque isso é atribuição dos senadores", disse. A reportagem, no entanto, identificou entre as dispensas a de Claudia Dias Costa França, coordenadora de comunicação institucional, que era comissionada e foi indicada pelo ex-presidente do Senado Garibaldi Alves (PMDB-RN).

 

Ao reafirmar que novas dispensas vão ocorrer, Heráclito lamentou o fato de ter chegado à primeira secretaria em um momento de crise como a que vive o Senado atualmente. "Só lamento que a chaleira tenha estourado na minha mão", disse, assegurando que "à medida que está tomando conhecimento das denúncias está tomando as providências". O senador afirmou ainda não ter definido o critério para os cortes nas próximas diretorias, mas afirmou que serão extintas aquelas que "não têm razão de ser". O Senado, segundo Heráclito, não pretende realizar novos concursos públicos para preencher as vagas abertas com a saída de servidores.

 

Heráclito afirmou que serão suspensas as obras da cela que seria construída na Casa Legislativa para deter pessoas que cometerem crimes dentro da instituição. Heráclito disse que vai analisar a necessidade da obra antes de dar continuidade à construção da cela. "Mandei suspender para analisar este caso", afirmou o senador. "A suspensão poderá ser temporária ou definitiva. Tudo vai depender das razões e da justificativa para os reais motivos da construção", disse.

 

O diretor da Polícia Legislativa do Senado, Pedro Araújo, disse que as obras tinham o prazo de duas semanas para serem concluídas. Orçada em R$ 569.445, a construção da cela foi autorizada em dezembro pelo então primeiro-secretário da Casa, Efraim Morais (DEM-PB), a pedido do diretor da polícia. Com uma área total de 645 m2, a cela seria oficialmente chamada de "sala de custódia".

Tudo o que sabemos sobre:
Senadodiretorescortecrisedemissões

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.