Senado está 'se desfazendo', diz senador após áudios de Sarney

Em conversa com o filho, ele se compromete a falar com Agaciel e sacramenta nomeação de namorado da neta

Agência Estado,

22 de julho de 2009 | 12h32

O Senado está se "desfazendo". Foi assim que o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) se manifestou ao comentar a revelação feita nesta quarta-feira pelo jornal O Estado de S.Paulo, de que a Polícia Federal realizou gravações que mostram a prática de nepotismo explícito pela família Sarney no Senado por meio de atos secretos. Cristovam propôs, nesta quarta-feira, a realização de um "plebiscito" questionando aos senadores quem apoia ou não a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado.

 

Sem citar Sarney, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou o novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, durante a cerimônia de posse, de que o Ministério Público deve ter responsabilidade e pensar na biografia dos investigados.

 

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"A única coisa que eu peço é que o Ministério Público tenha o direito e a obrigação de agir com o máximo de seriedade, não pensando apenas na biografia de quem está investigando, mas na biografia de quem também está sendo investigado", afirmou Lula, sem citar nomes ou fatos. E acrescentou: "no Brasil, às vezes, a pessoa é condenada antes, dependendo da carga da manchete da imprensa".

 

Plebiscito

 

Pelos cálculos de Buarque, José Sarney não tem mais apoio da maioria do Senado, em decorrência da enxurrada de denúncias contra o presidente e seus aliados políticos. O senador pedetista inclui nesta conta os 14 senadores do DEM, 13 do PSDB, 12 do PT, um do PSOL e cinco do PDT. Mas, apesar desses partidos terem defendido a renúncia de Sarney nas últimas semanas, alguns senadores não estão de acordo com a posição oficial de suas respectivas legendas.

 

Heráclito Fortes (DEM-PI), que é primeiro-secretário do Senado, e ACM Júnior (DEM-BA), por exemplo, foram contra a decisão do líder democrata José Agripino Maia (RN) de pedir a renúncia de José Sarney. Ideli Salvatti (PT-SC), Delcídio Amaral (PT-MS) e Serys Slhessarenko (PT-MT), também ficaram de fora da orientação do líder petista, Aloizio Mercadante (SP), de pressionar pela saída de Sarney.

 

A ideia de realizar um "plebiscito" no Senado pode ser entendida, a primeiro momento, apenas como um gesto político de Cristovam Buarque, uma vez que o regimento interno do Senado não prevê a utilização deste dispositivo entre os parlamentares. É possível que os líderes partidários rechacem esta estratégia para não expor os senadores.

 

Nova denúncia

 

Cristovam Buarque deverá se reunir com a bancada do PDT nos próximos dias para estudar a possibilidade de o partido apresentar uma nova representação contra José Sarney ao Conselho de Ética. Caso o partido não concorde em fazê-lo, Buarque prometeu assinar as representações e denúncias protocoladas por outros partidos. "O Paulo Duque presidente do Conselho de Ética, não tem mais direito de arquivar as denúncias. Isso seria uma bofetada na cara do povo", disse.

 

Na avaliação do senador pedetista, se José Sarney insistir em se manter na chefia do Senado por mais um ano e meio - tempo em que termina o seu mandato de presidente da Casa - o parlamento irá demorar "de 20 a 30 anos para se recuperar".

 

(Com Leonencio Nossa, da Agência Estado, e Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo)

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