Senado 'esquece' de anexar papéis para perícia de Renan

Mesmo a PF tendo recebido ofício do ministro de Justiça nesta quarta, perícia não pode começar

Vannildo Mendes, do Estadão

18 de julho de 2007 | 21h31

Depois de várias manobras protelatórias, a Polícia Federal finalmente recebeu nesta quarta-feira, 18, ofício do ministro da justiça, Tarso Genro, autorizando o início da nova perícia nos documentos apresentado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para provar a origem dos recursos da pensão paga à jornalista Mônica Veloso, com a qual ele tem uma filha. Mas o trabalho não pôde começar ainda porque o Senado deixou de anexar ao pedido o principal: os documentos a serem periciados.   Veja também:    Entenda o caso Renan   A omissão deu mais um fôlego aos aliados de Renan, que têm adiado ao máximo a análise dos documentos. Na primeira perícia, realizada há três semanas, a PF considerou inconsistentes os documentos - notas fiscais, faturas e guias de transporte de animais - com os quais Renan alega ter faturado R$ 1,9 milhão com a venda de gado nos últimos anos.   Não ficou comprovada a efetiva comercialização de mais de 900 reses e algumas notas fiscais de compradores eram frias. Mas o laudo, feito às pressas num fim de semana, não foi conclusivo por falta de tempo.   A PF sugeriu um prazo de 20 dias a começar do recebimento de todo o material a ser periciado, inclusive os novos documentos anexados por Renan. Pelos termos do ofício, assinado pelo vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), a PF precisa responder 30 questões relacionadas à autenticidade dos documentos e legalidade das operações de venda de gado de Renan. Genro repassou o pedido do Senado à PF na íntegra, sem vetos.   Segundo o requerimento, a investigação será restrita aos quesitos solicitados pelo Conselho de Ética do Senado. Assim, a PF não poderá fazer diligências ou realizar qualquer tipo de investigação complementar, mesmo que necessário, pois, para isso, dependeria de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo explicou Tarso.   Perícia   A perícia será realizada pela mesma equipe do Instituto Nacional de Criminalística (INC) que produziu o laudo parcial anterior. Deverá ser solicitado o auxílio de técnicos de órgãos de fiscalização, como a Receita Federal e o Banco Central.   As perguntas foram feitas pelos relatores do processo, pelo PSOL e pelo próprio Renan. Como em outras investigações de responsabilidade do Congresso, incluindo CPIs, a PF terá papel de força auxiliar.     No passado, a instituição extrapolou algumas vezes nas suas atribuições e teve provas produzidas anuladas pela Justiça. Foi o caso do inquérito para investigar o escândalo da violação do Senado e o que levou à renúncia do ex-presidente da Casa, senador Jader Barbalho.   Após receber o pedido de nova perícia, Genro esteve no Palácio do Planalto. Mas sua assessoria informou que tratou exclusivamente de questões administrativa e não conversou sobre o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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