Senado e Câmara vão discutir a relação para evitar conflitos

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), está encarregado de organizar, na próxima semana, uma reunião entre líderes partidários da Câmara e do Senado para tentar reduzir os conflitos entre as duas Casas, que estão prejudicando as votações e o conteúdo dos projetos aprovados pelo Congresso. A idéia de realizar esse encontro foi levada, terça-feira, pelo líder do governo no Congresso, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), ao ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e acertada hoje durante reunião de líderes de oposição e do governo no Senado. "A tensão é normal, mas ninguém quer guerra", avaliou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), para quem as divergências têm criado um ambiente político negativo. "Será uma conversa institucional", observou o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), depois de conversar sobre o assunto com Sarney, que ficou de organizar o encontro com o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP).As dificuldades de relacionamento entre Câmara e Senado vêm se arrastando há meses, transformando-se em disputa política. As matérias aprovadas na Câmara são mexidas no Senado, irritando os deputados e vice-versa. Ontem, o assunto foi tratado também em jantar realizado na casa do senador Sergio Guerra (PSDB-PE), que contou com a presença de tucanos, pefelistas, Mercadante e do líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL). A idéia foi levada por Renan ao ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, com quem ele se reuniu hoje no Palácio da Planalto. Os senadores estavam especialmente irritados com o fato de os deputados terem enterrado o acordo feito pelo Senado em torno da reforma tributária, descaracterizando a proposta. A situação vem se repetindo em outras matérias, sem que o governo adote a mesma orientação política com suas bancadas nas duas casas legislativas. O senador Arthur Virgílio propôs, em nome da trégua, que o Senado aprove o texto da emenda que trata da composição das Câmaras Municipais, reduzindo o número de vereadores, como foi aprovado pelos deputados.

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