Senado e Câmara escolhem novos presidentes hoje

O processo de sucessão no Congresso termina hoje, com a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado. As sessões de votação foram marcadas para as 15 horas de hoje nas duas casas. No Senado, onde acontece a sucessão de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), será necessária a presença de 41 dos 81 senadores e será eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos. Não há segundo turno. Na Câmara, a votação para a escolha do substituto de Michel Temer (PMDB-SP) só acontecerá se estiverem presentes 257 dos 513 deputados e o candidato que obtiver metade mais um dos votos válidos será eleito. Caso nenhum candidato obtenha a maioria dos votos, os dois candidatos mais votados concorrem em segundo turno, numa votação que deve acontecer ainda hoje. Candidatos à presidência do Senado Jader Barbalho - Candidato pelo PMDB à presidência do Senado, o senador Jader Barbalho é hoje o inimigo político número 1 de Antônio Carlos Magalhães, que deixa o comando da instituição depois de quatro anos de mandato. Pelas contas de peemedebistas, Jader será eleito com pelo menos 48 votos. Os problemas com ACM começaram quando ele passou a defender a criação de uma CPI para apurar irregularidades no sistema bancário em resposta à instalação da CPI do Judiciário proposta pelo pefelista. Seu segundo maior embate com ACM foi na discussão sobre o aumento do salário mínimo, bandeira política do presidente do Senado. Enquanto ACM defendia a elevação do mínimo para o equivalente a US$ 100, Jader cobrava responsabilidade administrativa sugerindo um aumento compatível com as contas do governo. O peemedebista entrou na política em 1967, ano em que se elegeu vereador. Já foi deputado estadual e federal e governador do Pará duas vezes. O senador foi ainda ministro da Previdência e da Reforma e Desenvolvimento Agrário no governo de José Sarney. Ele está em seu primeiro mandato como senador. Jefferson Peres - Parlamentar de discurso pausado e de temperamento calmo, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) é a opção da oposição para fazer um contraponto à guerra política entre o PMDB e o PFL no Senado. Lançado candidato à presidência do Senado, Jefferson Peres, um ex-tucano, imprimiu à sua campanha o estilo light de fazer política. Não atacou sequer seu principal adversário, o peemedebista Jader Barbalho (PA). Senador em primeiro mandato, Jefferson Peres foi o relator do processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que culminou na cassação do mandato do parlamentar do PMDB Luiz Estevão (DF), o primeiro senador a perder a função por decisão de seus colegas. Ele começou sua carreira política como vereador de Manaus em 1988. Em 1992, foi reeleito. Em 1994, foi eleito para o Senado. Arlindo Porto - Único representante do PTB no Senado, onde exerce o seu primeiro mandato, Arlindo Porto foi lançado ontem pelo PFL como a ?terceira via? contra Jader Barbalho, sob a alegação de que seu nome não prejudicaria a candidatura pefelista de Inocêncio Oliveira, na Câmara. Ex-ministro da Agricultura do presidente Fernando Henrique, entre 96 e 98, deixou o governo em situação constrangedora já que, enquanto estava no exterior, seu cargo estava sendo negociado pelo partido com o Planalto. Arlindo Porto acha que poderá ser uma zebra nesta disputa. Candidatos à Presidência da Câmara Aécio Neves - Chegou à Câmara credenciado apenas pelo parentesco com o ex-presidente Tancredo Neves. Quinze anos depois, Aécio é o candidato preferencial à presidência da Câmara. A carreira começou com um mandato de deputado federal pelo PMDB, na eleição de 1986, na qual obteve 236 mil votos, marca que não seria alcançada de novo nas três disputas subseqüentes para a Câmara, já pelo PSDB. "No meu primeiro mandato, não votaram em mim mas no meu avô, morto um ano antes", admite o tucano. Aos 40 anos, separado, pai de Gabriela, 9 anos, o tucano representa uma terceira geração de políticos na sua família. É neto de Tancredo Neves, pelo lado materno, e do ex-deputado Tristão da Cunha, pelo lado paterno. Deu os primeiros passos na política acompanhando o avô. Tinha 23 anos quando ocupou o cargo de secretário particular do então governador de Minas Tancredo Neves enquanto cursava Economia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Belo Horizonte. Inocêncio Oliveira - Candidato avulso à presidência da Câmara pelo PFL, o deputado Inocêncio Oliveira, 62 anos, já ocupou este mesmo cargo entre 93 e 94. Profundo conhecedor do funcionamento da Câmara, Inocêncio, médico cirurgião de profissão, procurou cada um dos deputados para conseguir seus votos. Político desde 74 - está hoje no sétimo mandato - Inocêncio, maior defensor do governo federal até então, foi peça fundamental na aprovação das reformas constitucionais. O deputado rebelou-se há três semanas, depois de denunciar que quatro ministros do presidente Fernando Henrique teriam começado a trabalhar nos bastidores pela vitória de seu adversário, o deputado tucano Aécio Neves. Valdemar Costa Neto - O deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP), de 41 anos, nasceu em Mogi das Cruzes, São Paulo. É administrador de empresas e empresário do setor agrícola. Sua carreira partidária começou em 1979 na Arena. Antes de ingressar na carreira partidária foi administrador agrícola no município entre 1968 e 1975. Em 1997, teve uma série de atritos com o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, que lhe renderam um processo por difamação que tramita até hoje na Justiça. Entre as plataformas da campanha de Valdemar está a criação de uma verba de transporte para o parlamentar viajar para seu Estado. O deputado também quer que todas as terças-feiras sejam reservadas apenas para a votação de projetos propostos pelos parlamentares. Nelson Marquezelli - O deputado Nelson Marquezzelli (PTB-SP), de 59 anos, nasceu em Pirassununga, São Paulo. Formado em Direito pela Universidade de Uberlândia (MG), começou a carreira política como vereador de sua cidade natal, em 1963. Desenvolve sua carreira política ao mesmo tempo em que cuida dos negócios como citricultor e pecuarista no interior paulista. Marquezelli não esconde seu sonho de ser ministro da Agricultura: várias vezes seu nome já foi indicado ao presidente Fernando Henrique Cardoso, mas todas tentativas foram frustradas. Uma das principais propostas do candidato é mudar o funcionamento da Câmara. Em vez de votações concentradas de terça a quinta-feira, como é hoje, seriam três semanas ininterruptas de trabalhos legislativos e, na quarta semana, o deputado faria seus contatos e trabalhos na base eleitoral. Aloizio Mercadante - O deputado Aloizio Mercadante (PT-SP), de 46 anos, nasceu em Santos, São Paulo. É formado em Economia e Administração pela Universidade de São Paulo (USP). Foi pela vida acadêmica que o deputado entrou na política. Depois de assessorar o PT na área econômica, foi eleito deputado federal em 1990. Sua reeleição ficou comprometida com a opção de se lançar candidato à vice-presidência na chapa com Luiz Inácio Lula da Silva, em 1994. Foi o líder do partido na Câmara. Sua candidatura à presidência da Casa foi lançada há uma semana, em meio às dúvidas do partido no apoio a Inocêncio Oliveira (PFL-PE) ou a Aécio Neves (PSDB-MG).

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