Senado dos EUA ameniza cláusula de preferência por produtos americanos

Medida presente no pacote de recuperação causou protestos da comunidade internacional.

BBC Brasil, BBC

05 de fevereiro de 2009 | 10h15

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira uma emenda que ameniza a chamada cláusula "Buy American" (compre produtos americanos, em tradução livre) do plano de recuperação econômica enviado pela Casa Branca ao Congresso.Pela cláusula em questão, somente aço, minério de ferro e manufaturados produzidos nos Estados Unidos poderiam ser usados em projetos contemplados pelo pacote de quase US$ 900 bilhões.A legislação causou protestos de vários parceiros comerciais dos EUA, que classificaram a medida como "protecionista".A emenda aprovada em votação oral nesta quarta-feira pelo Senado não descarta totalmente a medida, mas afirma que ela "deve ser aplicada de uma maneira que contemple as obrigações dos Estados Unidos em acordos internacionais".Uma proposta do senador John McCain, ex-rival de Obama na disputa pela Presidência, de retirar totalmente a cláusula do plano foi rejeita por seus colegas. A aprovação da emenda acontece um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter afirmado em entrevistas a redes de TV americanas que o país deveria evitar "uma guerra comercial" e medidas que "sinalizem protecionismo".Leia também na BBC Brasil: Obama diz querer evitar 'mensagem protecionista'A Casa Branca também já havia afirmado que apoia a preferência por produtos americanos nos projetos financiados pelo pacote, desde que isto não viole os acordos comerciais com outros países.O plano de recuperação enviado pelo governo foi aprovado pela Câmara dos Representantes na semana passada e está sendo analisado pelo Senado, que deve votá-lo ainda esta semana.O senadores do Partido Republicano, cujo apoio ao pacote é praticamente essencial para a sua aprovação, também tinham colocado restrições à cláusula "Buy American".Em entrevista na última terça-feira ao correspondente da BBC no Brasil, Gary Duffy, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a medida, que classificou como "protecionista".Lula também disse que a cláusula fere as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)."Eu temo o protecionismo e ele está acontecendo", afirmou o presidente Lula.Leia também na BBC Brasil : Lula chama pacote de Obama de 'protecionista' "Quando o presidente Obama anuncia um pacote de investimentos e diz que vai financiar as obras que forem construídas com produtos comprados na siderurgia americana, ele está praticando um protecionismo que a OMC teoricamente não aceita", completou.Antes, na segunda-feira, o embaixador da União Europeia em Washington, John Bruton, criticou a medida e afirmou que ela mandaria um mau sinal para o mundo."Se a primeira legislação importante que Obama assinar como presidente for em parte protecionista, isto não mandará uma boa mensagem", disse Bruton ao jornal Financial Times. Um porta-voz da Comissão Europeia, órgão executivo da UE, afirmou que o bloco apresentará uma reclamação à Organização Mundial do Comércio caso a cláusula seja aprovada.Já o embaixador do Canadá em Washington, Michael Wilson, enviou uma carta aos líderes do Senado americano onde afirmava que, se a cláusula estiver no pacote aprovado, abrirá um precedente negativo com repercussões globais."Os Estados Unidos perderão a sua autoridade moral de pressionar os outros (países) a não adotarem medidas protecionistas", diz Wilson na carta, segundo a rede de TV canadense CBC.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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