Senado 'devolve' apartamentos ocupados por servidores

A maioria dos 11 imóveis está ocupada por servidores ligados ao ex-diretor-geral Agaciel Maia

Rosa Costa, da Agência Estado

30 de junho de 2011 | 13h50

BRASÍLIA - O primeiro-secretário do Senado, Cícero Lucena (PSDB-PB), "devolveu" à União 13 apartamentos, todos em áreas nobres da capital, ocupados por servidores e aposentados da Casa. Entre os inquilinos também está um sem vínculos com a instituição. Alvo de um processo de despejo há dois anos, esse morador ocupa o imóvel funcional desde 1985, segundo se sabe, graças a um senador da época que pediu a moradia para um amigo que estava doente. Caberá à União adotar os procedimentos para desocupar os apartamentos.

Dois imóveis estão desocupados. Um deles tinha como morador o filho do ex-diretor de Recursos Humanos do Senado João Carlos Zoghbi, que obteve o benefício como se fosse para ele próprio, embora residisse em casa própria, no Lago Sul de Brasília, onde moram os presidentes da Câmara e do Senado, deputados Marcos Maia (PT-RS) e senador José Sarney (PMDB-AP) e outros nomes de prestígio na política de órgãos públicos e da iniciativa privada. A desocupação do outro apartamento se deve ao estado deteriorado em que foi deixado pelo último morador.

A maioria dos 11 apartamentos está ocupada por servidores ligados ao ex-diretor-geral Agaciel Maia, que comandou a administração da Casa durante 15 anos. É o caso de sua ex-secretária, Cristiana Mendonça, que mora desde 2004 a menos de cinco quilômetros do Senado, numa residência de três quartos cujo aluguel ficaria em torno de R$ 3 mil.

Os "inquilinos" do Senado se limitam a pagar uma taxa de administração em torno de R$ 300. O primeiro-secretário afirma que não tem motivo manter o privilégio de uns poucos servidores, em troca da obrigatoriedade de administrar os imóveis.

No ofício que encaminhou à secretária do Patrimônio da União, Paula Lara, o senador relaciona os 13 apartamentos, pedindo que sejam adotados "procedimentos administrativos necessários para que se concretize a restituição dos referidos imóveis à União". Ele informa que o Senado não tem interesse em prosseguir na administração dos imóveis funcionais de propriedade da União". "Pois já não são essenciais ao atendimento dos fins institucionais desta Casa Legislativa", constata o senador.

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