Senado deve pedir processos sobre atos secretos em breve

Atos somam 511 nomeações não declaradas durante 14 anos em que Agacial maia foi diretor-geral da Casa

Carol Pires, da Agência Estado,

03 de agosto de 2009 | 13h12

A Diretoria-Geral do Senado anunciou nesta segunda-feira, 3, que deve pedir nesta semana a abertura de processos administrativos individuais para analisar os atos secretos usados para nomear servidores sem concurso público no Senado.

 

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Ao todo, 511 atos secretos foram editados no Senado nos últimos 14 anos - período em que Agaciel Maia foi diretor-geral da Casa. Inicialmente, o Senado havia divulgado um total de 663 atos secretos, mas, depois, foi constatado que alguns haviam sido publicados no Diário Oficial do Senado ou no Boletim Administrativo de Pessoal. Por isso, foi feita uma recontagem, e o número oficial de atos secretos baixou para 511.

 

"Vai ser aberto um processo em relação à situação do Henrique ex-namorado da neta do presidente do Senado, José Sarney e de outras pessoas em situação semelhante. Com a conclusão desses processos é que vamos decidir o que fazer", informou há pouco o atual diretor-geral, Haroldo Tajra.

 

Henrique Dias Bernardes é ex-namorado de Maria Beatriz, neta de Sarney e filha do empresário Fernando Sarney, e está entre os 218 servidores que foram contratados por ato secreto, segundo apuração preliminar da comissão responsável. A nomeação dele foi revelada pelo jornal O Estado de S.Paulo, a partir de gravações feitas, com autorização judicial, pela Polícia Federal, durante a Operação Boi Barrica.

 

Tajra explicou que, com a conclusão dos processos relativos a Henrique Bernardes e outros semelhantes, decidirá o que será feito em relação aos demais casos. "Vamos abrir um processo individual para pessoas que foram nomeadas por atos secretos, averiguar os fatos e chegar a uma conclusão do que vai ser feito."

 

Segundo a assessoria da diretoria-geral, entre os 218 servidores nomeados por atos secretos, a exoneração de 80 será pedida no relatório final da comissão de servidores que investiga o caso. Os demais não serão enquadrados, segundo a assessoria, porque são funcionários que não trabalham mais no Senado, ou que se aposentaram.

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