Senado deve desistir hoje de criar trem da alegria

Mesa se reúne para analisar repercussão pela abertura de até 388 vagas

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 00h00

Menos de uma semana depois de autorizar um trem da alegria que criou 97 cargos de confiança - que podem chegar a 388, já que cada vaga pode ser desmembrada em quatro -, a Mesa Diretora do Senado se reúne hoje para analisar a péssima repercussão causada pela medida. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), acredita que seus colegas da Mesa devem recuar e "desfazer" o trem."Meu prognóstico, a confiança que eu tenho é que a própria Mesa não vai expor o plenário a esta decisão, que simplesmente poderá ser tomada por ela", previu. Garibaldi, que disse ter sido voto vencido na decisão, reiterou que considera essas contratações "impróprias e inoportunas", até porque não acredita que haja necessidade de mais gente nos gabinetes. Pressionado pela repercussão negativa da decisão, na sexta-feira Garibaldi resolveu dividir a conta do desgaste e anunciou que sua intenção é cumprir o que determina o regimento interno do Senado. Ou seja, faria valer a norma que condiciona a criação, transformação ou extinção de cargos a uma decisão do plenário.Segundo ele, a carência de pessoal nas áreas legislativas do Senado será solucionada com um concurso público, abrindo 150 vagas, provavelmente em outubro.Os membros da Mesa e os líderes apontam o primeiro-secretário, Efraim Morais (DEM-PB), como pai do trem da alegria. Desde que o fato foi divulgado, ele não foi encontrado para falar do assunto. A resolução prevê a contratação de um assessor técnico com salário de até R$ 9,97 mil. Os senadores que estiverem nas lideranças dos partidos ou pertencerem à Mesa poderão repetir a contratação também nesses gabinetes. Seriam, então, 97 vagas, no mínimo.A possibilidade de dividir o cargo por quatro e contratar mais pessoal seria o cenário mais provável em período eleitoral, como atrativo para atender políticos influentes. Como são cargos de confiança, comissionados, os servidores nem mesmo precisariam ir a Brasília.

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