Senado demite só 8 de 50 diretores

Outras promessas por enquanto não saíram do papel

Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2009 | 00h00

Ao final de dois meses de convivência com a divulgação em sequência de comprovados casos de desmandos políticos e ineficiência administrativa, o Senado não tem nenhuma medida concreta de reforma radical dos hábitos da Casa. Da lista de 50 dos 181 diretores que seriam exonerados, 8 foram efetivamente desligados. Também estão pendentes os compromissos assumidos pelo presidente José Sarney (PMDB-AP) de dar transparência ao uso da verba indenizatória de R$ 15 mil paga aos senadores e de criar regras para o pagamento de horas extras - no recesso de janeiro, o Senado pagou pelo menos R$ 6,2 milhões a 3.883 servidores.Há ainda a expectativa quanto à redução dos 3 mil cargos comissionados e dos conselhos e comissões que custam muito e rendem pouco à Casa. E até agora ninguém sabe se o substituto de Agaciel Maia na diretoria-geral, Alexandre Gazineo, será efetivado no cargo.Até a principal ofensiva para "arrumar" a administração do Senado deve ser revista - entrou em compasso de espera a ideia de firmar contrato com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para promover, em dois meses, uma reforma administrativa, por R$ 250 mil.Em 1995, o também presidente José Sarney teve a mesma iniciativa e a "reengenharia" foi contratada sem licitação por R$ 882 mil, o que equivale hoje a R$ 2,2 milhões. O procurador-geral em exercício no Tribunal de Contas da União (TCU), Marinus Marsico, já disse que, por se tratar de contrato, não de convênio, o Senado tem de fazer licitação.Consultada, a assessoria de Sarney disse ao Estado "que será feito na Casa o que manda a lei". O primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), reconhece que as promessas estão em marcha lenta, mas disse que nenhuma medida será abandonada. "As mudanças serão feitas, não tão rápido como gostaríamos, mas de maneira segura." Ele disse que as exonerações de diretores ocorrerão paulatinamente e informou que Senado e Câmara devem adotar normas comuns no uso da verba indenizatória.

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