Senado demite 50 diretores e manda recolher carros oficiais

Número de servidores na Casa com status de diretor chega a 175; senador ainda quer reduzir terceirizados

Agência Brasil,

19 de março de 2009 | 19h14

O 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), determinou nesta quinta-feira, 19, ao diretor-geral, Alexandre Gazineo, que exonere de imediato 50 ocupantes de cargos de direção ou função equivalente na estrutura administrativa da Casa. No ato assinado, Heráclito Fortes afirma que o objetivo é extinguir esses cargos. Ele determinou, ainda, que sejam recolhidos imediatamente os veículos de representação, que estejam à disposição de diretores do Senado, exceto da diretoria-geral e da secretaria-geral da Mesa.

 

O senador também determinou ao diretor-geral a apresentação de um plano de redução adicional de cargos de direção ou de função. Pelo ato, também deverão ser convocados de imediato os profissionais aprovados, na área de comunicação social, no concurso público realizado no ano passado.

 

Heráclito Fortes pretende reduzir o número de funcionários terceirizados, que atuam neste setor. O ato prevê que após as nomeações para a comunicação social, a direção geral deverá adotar as providências necessárias para os aprovados em outras áreas.

 

A divulgação da área de Recursos Humanos do Senado, na última quarta-feira, de que o número de diretores e servidores que ocupam funções equivalentes a de direção seria de 181 repercutiu entre os senadores. Na verdade, a lista divulgada pela assessoria de imprensa da Presidência do Senado informava 175 cargos.

 

O líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (AM), afirmou que o Senado tem a obrigação de dar uma satisfação à sociedade. "Para mim é muito doloroso não estar discutindo a crise, porque um determinado diretor botou seu filho em um apartamento (do Senado). Não aguento mais essa agenda", afirmou. O parlamentar acrescentou que o Senado deve superar de uma vez por todas essas questões administrativas, "sob pena de a sociedade começar a julgar a Casa desnecessária".

 

O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), também defendeu a superação dessa agenda de frequentes denúncias de abusos na administração do Senado. "É necessário que, permanentemente, a Casa tenha metas a cumprir e preste contas à sociedade", disse. Para ele, não cabe mais, por exemplo, o pagamento da verba indenizatória aos parlamentares.

 

O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), pediu aos líderes que se reúnam para discutir os problemas administrativos do Senado. Na sua opinião, é necessário que as lideranças deixem claro o que pode e o que não pode ser feito pelos gestores administrativos deixando clara, também, à 1ª secretaria as normas que balizarão sua atuação.

 

O senador Delcídio Amaral (PT-MS) foi outro que defendeu uma reunião o mais rápido possível do colégio de líderes. "É necessário discutir uma pauta mínima. Temos condições de resolver os problemas administrativos com racionalidade e transparência", disse.

 

Toda discussão começou quando o senador Tião Viana (PT-AC) foi à tribuna apresentar todos os seus gastos com tratamentos médicos feitos no serviço de saúde do Senado desde 1999. A iniciativa do petista foi tomada a partir de "denúncias anônimas" de que teria gastos elevados com despesas médicas. Notas publicadas pela imprensa dão conta de que Tião Viana seria responsável pelos vazamentos das irregularidades administrativas no Senado. O parlamentar aproveitou para solicitar que todos os senadores colocassem os mesmos gastos à disposição da imprensa.

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