Senado define roteiro para apurar violação do painel

O Conselho de Ética do Senado vai reunir-se hoje, às 17 horas, para estabelecer um roteiro de depoimentos com vistas à apuração do caso de violação do painel eletrônico de votação do plenário, durante o processo de cassação do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF). O relator do processo, senador Saturnino Braga (PSB-RJ), deverá propor que sejam ouvidos o ex-presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), e os funcionários envolvidos na fraude. Ele poderá, também, sugerir uma eventual acareação entre os depoentes.O senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) disse a Saturnino que vai requerer o depoimento do líder do Bloco Oposição, senador José Eduardo Dutra (PT-SE). Isso porque, conforme reportagem da revista IstoÉ, Dutra teria tido informações de que a violação do painel teria ocorrido a pedido de Arruda, antes do resultado da investigação sobre a violação.Dutra disse na manhã de hoje à Agência Estado que, se for chamado a depor, vai dizer o mesmo que disse em nota enviada à revista após a reportagem, ou seja, que, quando procurado se recusou a falar sobre o assunto e que não obteve nenhuma informação de que havia uma lista com o resultado da votação, na sessão de cassação de Estevão, resultante de violação do painel.Segundo o senador do PT, tanto ele como outros colegas ouviram, em conversas de corredor, comentários sobre uma suposta violação do painel. Ele disse, no entanto, que, por não ter nenhuma informação concreta, não levou o caso ao Conselho de Ética. "Estão querendo embaralhar essa história, envolvendo um líder da oposição", acusou Dutra, dizendo que, se tiver que falar sobre "conversinhas de senador" no Conselho de Ética, os 81 senadores terão que ser ouvidos.Na reunião de hoje, o Conselho de Ética deve ouvir também um novo depoimento do foneticista Ricardo Molina, ex-professor da Unicamp, que está fazendo um novo laudo sobre a fita com a gravação da conversa que o senador Antonio Carlos Magalhães teve com procuradores da República em meados de fevereiro, na qual, entre outras coisas, ACM teria afirmado possuir uma lista com a relação dos votos dados pelos senadores na sessão de 28 de junho do ano passado, quando foi decidida pela cassação de Luiz Estevão.

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