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Senado define nomes para apurar HSBC na próxima semana

Pedido de CPI sobre contas de brasileiros em agência suíça é lido; PT e PMDB têm preferência para comandar trabalhos

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2015 | 21h16

Brasília - Longe dos holofotes e num dia de plenário praticamente vazio, a CPI destinada a investigar supostas irregularidades cometidas por correntistas brasileiros na movimentação de recursos na filial do banco HSBC na Suíça deu mais um passo nesta sexta-feira, 27, para sair do papel. A proposta de criação da comissão foi lida nesta manhã pelo presidente em exercício do Senado, Paulo Paim (PT-RS), com o apoio de 33 senadores, seis a mais do que o mínimo necessário. O comando da comissão será definido a partir da próxima semana. 

Coube ao senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), autor do requerimento de criação da CPI, a tarefa de recolher em apenas dois dias os apoios de integrantes da base e da oposição a fim de tentar ter acesso, principalmente, a uma lista de cerca de 8 mil brasileiros que teriam mantido US$ 7 bilhões na instituição de maneira irregular para a Receita Federal. Por isso, Randolfe tentará convencer os dois maiores partidos do Senado, PT e PMDB, a ceder ou a presidência ou a relatoria das investigações a ele. Pela regra da proporcionalidade, cabe às duas maiores bancadas dividir o comando da comissão de inquérito. 


“Vou reivindicar um dos cargos. A função mais importante é a relatoria (responsável por conduzir as investigações), mas tenho conhecimento que isso só pode ocorrer a partir de um diálogo com os grandes partidos. Se não for possível, estarei na CPI da mesma forma”, disse o senador do PSOL. 

“Nada contra o Randolfe, gosto muito dele, mas eu tenho tenho um bloco partidário de 22 senadores, só se nenhum quiser”, afirmou o líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), que tem preferência por fazer a primeira escolha. O PMDB tem 18 senadores e se aliou ao PSD, com quatro integrantes, para formar a maior aliança da Casa. Eunício disse que o bloco vai participar ativamente das apurações. 

O líder do PT, Humberto Costa (PE), afirmou que ainda não há definição sobre o comando da CPI. O PT, com 14 senadores, juntamente com o PDT, com seis, formam a segunda maior aliança da Casa. Costa disse que a bancada se reúne na terça-feira para discutir o assunto. Mas mostrou-se cético em ceder um espaço de comando para Randolfe, que lidera o quarto maior bloco partidário, com nove senadores, numa aliança com PSB, PPS e PCdoB. “Ele não está no nosso bloco, não sei se todo mundo vai concordar.” 

Mesmo sem ter tido nenhum integrante subscrevendo o pedido de CPI, o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), disse que a sigla vai participar ativamente das apurações e, no início da próxima semana, indicará os integrantes para participar da comissão. Ele negou que tucanos temam as apurações, conforme tem circulado nos bastidores. “A não-assinatura não significa dizer que não há apoio”, rebateu, ao afirmar que não localizou o autor da CPI para também assinar o requerimento.

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