Senado decide sobre terceiro processo contra Renan

Desta vez, o presidente do Senado é acusado de usar laranjas; João Lyra presta depoimento nesta tarde

16 de agosto de 2007 | 10h01

A Mesa Diretora do Senado irá se reunir, nesta quinta-feira, 16, para decidir sobre a abertura do terceiro processo contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB), no Conselho de Ética. De iniciativa do DEM e PSDB, a representação pede a investigação do suposto uso de laranjas na compra de duas emissoras de rádio e um jornal em Alagoas, com o usineiro e ex-deputado João Lyra (PTB). É certo que na reunião, chefiada pelo segundo-vice presidente, Álvaro Dias (PSDB-PR), será unânime a decisão de encaminhar a denúncia ao conselho.   Veja também: Cronologia do caso Renan     Veja especial sobre o caso Renan    O corregedor-geral do Senado, senador Romeu Tuma (DEM-SP), irá nesta tarde a Alagoas para tomar o depoimento de João Lyra sobre a sociedade em empresas de comunicação que o ex-parlamentar afirma que manteve com Renan, em nome de "laranjas" (falsos proprietários). Sua conversa com Tuma será acompanhada por escrivães da Polícia Federal, para que assuma caráter de depoimento.   Em recente entrevista, Lyra disse que foi parceiro de Renan e afirmou que o presidente do Senado pagou sua parte em dólares e dinheiro vivo, num investimento de R$1,3 milhão. Renan nega e propôs que Lyra abra seu sigilo bancário e fiscal, a exemplo do que fez, ao pedir ao Ministério Público para investigá-lo.   A assessoria de Lyra informou que ele entregará a Tuma cópias de documentos comprovando as transações com Renan que revelou.   Outros processos   Renan é alvo de três representações no Conselho de Ética. A primeira, que está sendo investigada pelo conselho, é por suspeita de ter contas pessoais pagas por Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior. Gontijo pagaria pensão a jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha fora do casamento.   O senador é acusado ainda de apresentar notas frias para comprovar renda - ele alega que atividades agropecuárias lhe renderam R$ 1,9 milhão em quatro anos. A Polícia Federal está fazendo a perícia nos documentos e entregará o laudo final na segunda-feira, 20.   A segunda representação, acatada na semana passada, é por suposto favorecimento a cervejaria Schincariol. O senador é acusado de interferir no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e na Receita Federal para beneficiar a cervejaria. A empresa teria comprado uma fábrica do clã Calheiros em Alagoas com sobrepreço de mais de 500%. Após muita procura, o presidente do Conselho, senador Leomar Quintanilha (PMDB), anunciou na quarta-feira, 15, a escolha do petista João Pedro (PT) para ser o relator deste processo.   Pressão   Em busca de uma saída para a crise provocada pela insistência do presidente do Senado em continuar no cargo, sete senadores de diferentes partidos, incluindo o PMDB, iniciaram na quarta um movimento para recuperar a credibilidade da Casa. Eles acreditam que a solução passa pelo afastamento de Renan do cargo o quanto antes e dão como certo que não há chance de o plenário absolvê-lo.  

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